Pesquisadores discutem ética na pesquisa científica em evento no Rio e em São Paulo

Rio de Janeiro – Pesquisadores brasileiros e estrangeiros se reúnem até a próxima quinta-feira (16) para discutir formas de garantir a integridade de pesquisas científicas no país, evitando problemas como plágio e falsificação de dados. Segundo a pesquisadora do Instituto de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) Sonia Vasconcelos, a ideia é trazer, para o Brasil, a questão, que já vem sendo discutida em seminários internacionais.

A pesquisadora diz que o país ainda está atrasado na discussão sobre o assunto, assim como o restante da América Latina. “Na área de integridade em pesquisa, nós não temos uma política definida nem nas agências nem nas universidades. O Brasil não é considerado um país que tem uma política oficial, diferentemente de países como os Estados Unidos, que têm vários órgãos reguladores, a Inglaterra, que tem um escritório de integridade em pesquisa, a Austrália, o Canadá e o Japão. A China também tem desenvolvido várias ações neste sentido”, afirmou.

Além de discutir formas de garantir a confiabilidade dos dados e evitar plágios, o evento deve abordar questões como o cancelamento de publicações com dados suspeitos por revistas científicas, a transparência quanto ao nome dos financiadores e a diferença cultural entre pesquisadores de países distintos. Também deve ser debatida a questão de atribuição de autoria a pesquisadores que não participaram efetivamente do estudo.

“Hoje em dia se questiona bastante se chefes de laboratórios, que não atuaram na pesquisa mas que foram os responsáveis por obter o financiamento da condução do trabalho, podem ser considerados autores do trabalho. A maioria dos editores considera que não, que a autoria não seria legítima”, disse.

O evento teve início dia 10, será realizado em quatro lugares. No Rio de Janeiro, os encontros ocorrem na Coppe/UFRJ e no Centro Brasileiro de Pesquisas Científicas (CBPF). Em São Paulo, o seminário será realizado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na cidade de São José dos Campos, e na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.

Fonte: Agência Brasil