Brasil precisa inserir mais micro e pequenas empresas no mercado internacional, afirma Sarah Saldanha

A gerente de Serviços de Internacionalização da CNI analisa o crescimento de exportações dos estados em 2016 e destaca aumento da procura por capacitações durante a crise

Sarah SaldanhaA internacionalização precisa fazer parte da estratégia das empresas, sejam elas pequenas, médias ou grandes. Ajudá-las a construir a estratégia e consolidar a atuação do exterior é o maior objetivo da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN). É isso que conta, em entrevista à Agência CNI de Notícias, a gerente de Serviços da Internacionalização da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e coordenadora da Rede CIN, Sarah Saldanha.

Segundo ela, entre 2015 e 2016, a busca pelos serviços oferecidos pelos centros cresceu na mesma proporção que a crise econômica se aprofundou no mercado doméstico. “O que observamos nesse período é que, em regiões menos internacionalizadas, houve uma demanda grande de empresas pelos serviços dos CINs, buscando na internacionalização uma estratégia de sobrevivência. A crise tem um papel muito grande nisso“, destaca Sarah.

Em 2016, no auge da crise econômica, houve crescimento da pauta exportadora de 16 dos 27 estados. Entre eles, estados com pouca representatividade no comércio exterior tiveram aumentos expressivos. É o caso de Roraima, que saiu de pouco mais que US$ 2 milhões exportados em 2015, para mais de US$ 13 milhões de dólares no ano seguinte. “O grande desafio do país é inserir mais micro e pequenas empresas na dinâmica de mercado internacional e de maneira sustentada. Para que não seja só porque o câmbio melhorou ou porque no mercado interno estamos vivenciando uma crise”, completa Sarah. Confira a entrevista completa abaixo:

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Dois terços dos estados aumentaram as exportações no auge da crise econômica, de 2015 para 2016. Como você avalia esse movimento?

SARAH SALDANHA – Durante a crise econômica, quando se visualizou uma retração do consumo doméstico, o mercado internacional e os investimentos foram postos como alavancas de crescimento para o país e de manutenção da estratégia das empresas. Nesse momento, empresas mais independentes do mercado interno e que já vinham trabalhando de maneira continuada com o mercado internacional saíram na frente. A exportação apareceu como uma alternativa para compensar o desaquecimento da economia brasileira.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Qual a participação da Rede CIN nesse resultado?

SARAH SALDANHA – A Rede tem toda uma esteira de apoio à internacionalização das empresas. Elaboramos estudos de mercado e temos linhas de produtos de inteligência para ajudar a empresa a escolher o mercado alvo e o potencial parceiro comercial. Então, eu diria que a Rede CIN, por meio desses serviços, está presente em cada uma das etapas da caminhada das empresas que querem se internacionalizar.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Estados que não são tradicionalmente exportadores tiveram saltos grandes em seus números totais. Como a Rede trabalha nesses estados?

SARAH SALDANHA – A CNI trabalha com as 27 federações para garantir que nos 27 estados brasileiros o serviço tenha a mesma qualidade. O que observamos nesse período é que, em regiões menos internacionalizadas, houve uma demanda grande de empresas pelos serviços dos CINs, buscando na internacionalização uma estratégia de sobrevivência. A crise tem um papel muito grande nisso.

O que a gente costuma dizer é que a internacionalização não pode ser somente um escape num momento de crise. Empresas que têm isso incorporado aos seus processos de maneira estruturada são, naturalmente, as que sofrem menos com as crises.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – As exportações cresceram na maioria dos estados. No entanto, o total global caiu. Como você avalia a situação atual das exportações das empresas brasileiras?

SARAH SALDANHA – Mais do que aumentar o número global exportado pelas empresas que nós atendemos, o nosso grande desafio é incluir outras, ou seja, sensibilizar novas empresas. E isso aconteceu. Pra gente isso foi um resultado importante.

O grande desafio do país é inserir mais micro e pequenas empresas na dinâmica de mercado internacional e de maneira sustentada. Isso para que essas empresas estejam realmente comprometidas com a estratégia internacional, que não seja só porque o câmbio melhorou ou porque no mercado interno estamos vivenciando uma crise.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – O serviço historicamente mais demandado da Rede é o Certificado de Origem. Qual a importância e como funciona essa serviço?

SARAH SALDANHA – Certificado de Origem é um item presente nos acordos que o Brasil tem com vários países do mundo. Nós emitimos Certificados de Origem para os países da América lática, da ALADI (Associação Latino-Americana de Integração) – todos os países das Américas, com exceção dos Estados Unidos e Canadá.

Por exemplo, um produto europeu paga alíquota de 15 a 20% para entrar nesses mercados. O brasileiro, com o certificado, pode pagar de zero a 15%. É uma redução significativa do preço. As empresas utilizam muito esse recurso, em especial as grandes, como forma de ter competitividade no mercado.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – O número de cursos, seminários e ações de promoção de negócios também cresceram consideravelmente entre 2015 e 2016. Por quê?

SARAH SALDANHA – A crise deixou as empresas desamparadas em relação ao mercado interno. A capacitação é o primeiro passo que a empresa deve dar para conseguir, efetivamente, se internacionalizar.

A promoção de negócios é o passo seguinte. É quando a empresa já adquiriu os conhecimentos e ela precisa ou prospectar oportunidades ou fechar um contrato lá fora. Aqui nós estamos falando de encontros de negócios com compradores ou de missões prospectivas, nas quais a gente expõe a empresa a tecnologias, a dinâmicas de mercado e canais de distribuição internacionais.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Seis meses após a implementação, qual avaliação da Rede CIN sobre o ATA Carnet?

SARAH SALDANHA – O ATA Carnet é uma ferramenta de promoção de negócios. As emissões ainda estão aquém das nossas expectativas. Nós imaginávamos que haveria uma maior demanda nesse primeiro momento, mas entendemos também que a empresa brasileira está acostumada a fazer a exportação temporária no modelo tradicional. Então, trata-se, na verdade, de uma mudança de cultura.

A nossa expectativa é que nos próximos seis meses tenhamos uma adesão maior das empresas ao mecanismo. A CNI seguirá fazendo o seu trabalho de sensibilização dos órgãos brasileiros para a importância de acreditar no ATA Carnet como ferramenta de promoção de negócios.

Por Mateus Maia
Foto e vídeo: Gilberto Sousa
Para a Agência CNI de Notícias

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