Difícil ser brasileiro (I)

Érico-Morbis_avatar_1479923126-50x50Éricoh Morbiz

É difícil ser brasileiro, maior de idade, alfabetizado e interessado. Desde que se torna gente, o brasileiro fica sabendo que não pode trabalhar menos de 44 horas por semana, se quiser ter “”carteira assinada”.E que paga uma parte de seu salário e seu patrão o dobro deste valor, para que um dia possa se aposentar. Ele se pergunta: mas o quê meu patrão tem com isto? Não seria melhor ele me dar o dinheiro  e eu resolver como vou fazer para ter recursos na velhice?  E por quê seu tio, que foi inspetor de aluno numa escola da Prefeitura se aposentou com um valor tres vezes maior do que seu pai?

Procure um especialista!

Tem um tal de FGTS.  Com carteira assinada o  patrão tem que recolher  8% do  salário de qualquer de seus empregados para este tal de FGTS.  Numa rodinha de bar, fizeram uns cálculos movidos a energia etílica e deu um dinheirão. Aí alguém disse que o Governo resolveu emprestar o tal do FGTS para que empresas possam crescer, comprar máquinas e gerar mais empregos e recolher mais FGTS.  Então por quê estão chamando os trabalhadores  para sacarem o tal do FGTS?  Por quê não deixam o patrão pagar todo mês diretamente ao trabalhador? Menos burocracia. E se o tal do FGTS é do empregado, por quê o Governo é quem gerencia, nomeia os diretores? Estão mostrando, provando até, que muitas vezes o tal do FGTS foi desviado, desapareceu? Onde fico sabendo quanto tinha e quem emprestou: está pagando em dia, os juros são corretos?

Procure um especialista.

Outro dia, o  carteiro  estava explicando para o porteiro, que o fundo deles quebrou. O brasileiro que passava, ouviu e a noite, na aula do terceirão, aproveitou e perguntou para o Professor o que exatamente disse o carteiro. Ainda bem que o Professor se animou e contou que  durante o dia trabalhava na Empresa de Energia Elétrica. E que ele estava satisfeito por quê muitos anos passados, criaram um Fundo para os funcionários da Empresa. Cada empregado contribui com 1% do salário, descontado já na folha e a Empresa coloca outros 2% (dobro do valor do empregado) e aí tudo isto compõe o Fundo. Que para ficar maior e não quebrar, compra ações de mineradoras, empresta para a própria Empresa, compra parte de Shoppings Centers, etc.  E quando o empregado se aposenta ele vai continuar recebendo o mesmo valor do ato da aposentadoria, por quê a diferença entre o valor que o INSS ou Instituto de Aposentadoria pagar e o valor que recebia ao se aposentar, será pago pelo Fundo. E o professor explica que os caras dos Correios se ferraram por que a diretoria do Fundo (chamado Postalis) passaram a mão literalmente na grana do Fundo. Roubaram, compraram ações de empresas que quebraram, receberam comissão para fazer isto e hoje estão pagando muito mais do que 1% sobre o salário, para tentar recuperar, reconstruir o seu Fundo. O Professor conclui dizendo que não é  só o Postalis que ficou doente financeiramente: os fundos da Petrobras, da Eletrobras, da CEF  e de muitas outras empresas públicas menores estaduais ou municipais também estão seriamente doentes. O Professor não quis completar informando que esta estranha engenharia em que o empregado paga 1% e a Empresa o dobro (ou mais!)é negociada a cada ano na assinatura da CCT – Convenção Coletiva de Trabalho entre o Sindicato dos Empregados e a Diretoria da Empresa. E quando fizeram o primeiro acordo isto já se tornou “direito adquirido” e aí só se mexeu nele para aumentar a contribuição da Empresa.

Claro, concluíram o Professor e o seu aluno ( brasileiro interessado) se não for empregado de empresa pública, economia mista, fundação, universidade, instituto, banco público,   na área privada vai encontrar poucas fundações. Uma ou outra grande multinacional. Vai se aposentar pelo INSS. Sem fundo.

Procure um especialista.

O brasileiro interessado descobriu que recebeu um aumento, no último mês, de 7,5% e que foi informado pelo RH que a Empresa negociou com o seu Sindicato laboral. Estranhou que o valor que era deduzido para o IR agora ficou proporcionalmente maior.  Que fenômeno é este? Não corrigiram a tabela? Bem, o Governo corrigiu a tabela, mas em percentagem menor do que a inflação.

Ora, calculou o brasileiro interessado, então aumentaram o imposto sobre salário, quer dizer, o imposto sobre a renda?

Ah, brasileiro interessado, vá procurar um especialista!

Por Éricoh Morbiz

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s