Domingo

Lançamento Livro de Hamilton Bonat

*Hamilton Bonat

Por ser domingo, ele está fazendo a barba. Não para ir à missa, como antigamente, quando – parecia-lhe – os padres católicos ainda acreditavam na vida eterna. Mas, desde que eles trocaram Deus pela teologia da libertação, ele, assim como outros milhões de fiéis, não mais acredita em suas pregações.

O domingo está enfarruscado. Anuncia chuva. Não importa. Para aposentados, todos os dias são domingo, merecidos domingos, após mais de quarenta anos de batente.

Não precisava, talvez nem devesse, porém se preocupa com notícias vindas do Rio de Janeiro. Elas dão conta de que mais de dez mil soldados foram jogados às feras, a fim de tentar, ao menos, diminuir a violência da verdadeira guerra civil que se espalhou por uma cidade que já foi maravilhosa.

Eles, os menos valorizados em termos salariais dos agentes federais, devem ter passado toda a madrugada de sábado para domingo patrulhando ruas e praças, que sucessivos governos incompetentes e corruptos transformaram em campo de batalha.

Desde que o senhor Leonel Brizola, eleito duas vezes pelos cariocas, impediu que a polícia subisse nos morros, o tráfico começou a tomar conta do pedaço. Mas foi nos últimos 13 anos que a coisa degringolou de vez. As ligações dos governos do PT com as FARC, sempre tratadas como um “inocente” movimento social, serviram de estímulo ao crime organizado.

O Brasil deixou de ser apenas um corredor de exportação. Tornou-se campeão mundial no consumo de crack e o vice em cocaína. E o Rio tornou-se o seu epicentro. É muito grave o fato de que o assassinato de mais de noventa policiais, em apenas seis meses, não ter comovido governos, a Igreja, nem imprensa e muito menos a piedosa turma dos direitos humanos. Mas, quando morreram traficantes… Que conclusões se pode tirar?

A missão do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, segundo anunciado, se prolongará até o final de 2018. Não apenas aos domingos, mas durante toda a semana. Se algum soldado morrer, poucas lágrimas rolarão. Mas quando a morte for a de um traficante, choverão denúncias às comissões de diretos humanos da OEA e da ONU, exigindo intervenção no Brasil. Imaginem, então, o que exigirão se alguma pobre criança inocente vier a falecer acidentalmente por bala perdida…
Barba feita. No capricho, como nos velhos tempos Antes de sair para curtir o seu domingo, ele imagina quem poderia intervir no Brasil. Pensa nas bolivarianas tropas da Venezuela, cujo mandatário – o senhor Maduro – conseguiu a proeza de destruir um país que já foi o mais rico da América Latina. Além de que, ele, o Senhor Maduro, é membro ativo do Foro de São Paulo e já conta com o apoio da atual presidente (ou presidenta?) do Partido dos Trabalhadores, infelizmente, uma paranaense como eu. Ou, quem sabe, que tropas cubanas venham a desembarcar no Rio. Seria a “glória do Foro de São Paulo”, além, é claro, de possibilitar que os soldados de Fidel tentassem nos dar “lições de democracia”.

PS: uma pergunta que não quer calar: “por que será que a nossa imprensa, sempre tão democrática, não noticia as atividades do Foro de São Paulo? Seria por medo ou seria por simples conveniência?”

*Hamilton Bonat é membro efetivo da Academia de Letras José de Alencar

Fonte: http://www.bonat.com.br/

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