Juros mais baixos! Pra quem?

*Ericoh Morbiz

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Arquivo/Agência Brasil

Copom. Qualquer brasileiro, que assiste TV ou ouve rádio, lê ainda jornais ou portais, como o nosso, fica sabendo a toda hora que o Copom vai estudar a taxa de  juros, vai provocar a  baixa, para um dígito, quem sabe ainda dois dígitos e assim vai.

Oito vezes ao ano, ordinariamente, este tal de Copom se reúne e define a taxa básica Selic.

Seus integrantes são todos diretores do Banco Central. O Presidente do BC preside este Colegiado e se preciso, tem o voto de qualidade (decide em caso de empate).

Seguem a partir do anúncio (ùltimamente o Copom tem reduzido a taxa, semana passada definiu-a em 9,25% aa), lideranças elogiando a baixa, outros achando pouco, e acreditem, bancos emitindo nota oficial dizendo  que em consequência, reduzirão suas taxas em igual percentual.

Acho isto tudo uma farsa, um teatro, ao qual nos acostumamos e ninguém propõe mudar. Deveriam transmitir ao vivo, que acham?

Lá nos tempos do cruzeiro, dos militares, havia a Sumoc, veio o BC e nas discussões da Constituinte muitos defendiam o tabelamento dos juros. Não vingou.

Ficamos como estamos até hoje.

Um bando de gente bem informada, todos do BC,  se reúnem e decidem qual será a Selic. No mesmo dia, sai nota oficial do Banco  informando a decisão. Uns dias após, divulgam uma ata marota, onde aproveitam para mandar recados ou sacudir a invencionice dos agiotas (atenção : agiotas hoje são os bancos, os banqueiros. Os pobres coitados  do mercado informal que emprestam dinheiro o fazem com taxas menores.

Desde os tempos pré atuais que dinheiro é coisa complicada. Pequenas bolsas com pedras preciosas, diamantes compravam tudo. Na idade média, a busca por especiarias criava fortunas. Pedras preciosas, como no  nosso Brasil, enchiam as burras dos reis e comparsas da sua corte lá na Europa. Se deviam aos ingleses, os navios iam direto para lá. Imaginem,  compramos o reconhecimento de nossa Independência com milhões de libras inglesas, pagas em navios repletos de riquezas. Nossas riquezas!

Voltando, o Copon não aceita convidado, que não seja do próprio BC. Como é subordinado ao Ministro da Fazenda, este  deve ditar a pauta, dizer  o que irão decidir.

Não me recordo do Ministro da Fazenda ficar surpreso com alguma decisão do Copom.

Ah, tem mais: o presidente do BC quase sempre é um banqueiro. Egresso de Bancos. O atual é ou foi do Itaú.

Claro, tem que entender de dinheiro.

Da venda de dinheiro.

Nos dias atuais, é muito comum a gente reclamar, fazer movimentos e exigir representantes de consumidores, de usuários e assim por diante.

No Copom, nada. Ali não tem usuário (eu me candidato. Usuário com pós graduação!) e conheço muito mais gente assim.

Mas é um clube bem fechado.

No mínimo, deveria haver ali representantes do Conselho Federal dos Economistas, de alguém das Confederações Patronais, das Centrais Sindicais, enfim, se é um Colegiado, que se discuta com todos os atores que atuam no mercado monetário. Indispensável alguém de micro e pequena empresa!

O Brasil está numa crise séria, sem precedentes. Mais de 13 milhões de famílias não sabem o que é receber um valor mensal.

O BC ignora tudo e todos.

Acho um deboche a cada trimestre algumas notícias, mostrando a insatisfação dos bancos e seus agiotas, que comparando com o ano anterior, o trimestre teve redução de x% no lucro. Ao invés de 15 bilhoes de reais líquido, só foi alcançado 14,7 bilhões.

Somos uma Nação de anestesiados: a corrupção bilionária nos levou a relevar a milionária. 13 milhoes de desempregados nos levam a ignorar o vizinho, o parente distante e assim vai. Quase cinco uruguais de desempregados. Já não assusta a notícia. Um milhão a mais ou menos, que diferença faz.

Faz e muita. Menos consumirão o produto que vendemos, da empresa em que operamos, que comprarão menos matéria prima, precisarão de menos gente etc etc….

Anestesia pura e na veia!

Juros do Copom de 9,25% é uma ótima notícia. Mas lá com o gerente digital (sim, porquê agora tudo é o sistema que decide! O escore do cadastro positivo!) nos oferecem ou nos impõe juros de 399% ao ano. No cartão de crédito, ah, aí é  roubo, assalto. No cheque especial, é crime monetário. E tem o famoso custo invisível, indireto, imoral: seguro, pic com sorteio etc.

Qual é a taxa Selic mesmo?

Érico-Morbis_avatar_1479923126-50x50*Ericoh Morbiz

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