Ônibus x Táxis

Linhas de onibus

Foto: Maurilio Cheli/SMCS (arquivo)

Recentemente, a URBS empresa da Prefeitura de Curitiba, que além de gerir a Rodoferroviária, quiosques e  bancas de jornais, até que o Prefeito Mauricio Fruet assumiu a gestão do transporte urbano. E desde então, não tem tido o sucesso necessário. Os cargos são sempre ocupados politicamente. E ali está o centro mais importante de informações e decisões do transporte coletivo.

Pois bem, a URBS divulgou que neste ano, até maio, houve uma queda de 10 milhões de passageiros (de passagens). É muito. É um dado assustador. Mas não parece ter assustado nem o Prefeito (e a Primeira Dama!) e nem a URBS. Única mudança é que o Prefeito demitiu o Presidente e até agora está em exercício o dirigente.

Quem transita em Curitiba (e não deve ser diferente em outras grandes Capitais) em qualquer horário, nota a profusão de veículos com só o motorista. E passando por algum ponto de táxi, verá filas enormes.

Conversando com os taxistas, falarão primeiramente no UBER. E claro, na crise. Exceções para as cooperativas que detém alguns bons convênios. Quem os tem, só elogia. Quando fui diretor do Senac, por 8 anos tivemos um convênio com táxi. Todos os números e relatórios apontavam vantagens. Saímos e o sucessor achou melhor o retorno aos veículos próprios.

Uma das saídas fáceis de adotar e rapidamente, para diminuir veículos nas ruas da Capital, seria estimular o uso de táxis. Começando por eliminar taxas, tanto da URBS quanto do IPEM. São caça níqueis. Eliminar quaisquer outros tributos. Cadastrar de maneira completa, com chip, todos os táxis. E adaptar um soft simples, que a cada passageiro, este teria um recibo, computando em seu cadastro, feito no primeiro uso, milhagem. Portanto, usando táxi, a cada recibo, somariam pontos que alcançando um número tal, propiciaria alguma vantagem. Passaria de uma categoria pra outra e teria redução de valor, etc.

Os táxis usariam a faixa  privativa de ônibus.  Para serem mais rápidos. Hoje, que vantagem um usuário tem de usar táxi? Ele está no meio do engarrafamento. Demora tanto quanto se for de carro próprio. O táxi tem de dar vantagem, rapidez, conforto.

Criar  uma rádio web pra táxi. Divulgar notícias de uso da comunidade. E a URBS poderia vender anúncios, que iriam reduzir os custos. Propiciar redução de preço do uso do táxi. Vender também publicidade nos carros, externamente e dentro.

Afinal, se Copel e Sanepar e até a Prefeitura, pagam para outros veículos de comunicação, incluam os táxis.

Não acho necessário burocratizar com cooperativas. Se as que existem ou  vierem a existir, quiserem falar em nomes dos associados, tudo bem. Fica mais fácil e mais rápido. Senão, pode ser de per si. É uma única vez. Cadastro feito, soft implantado e tudo correrá ao natural.

Táxi deve ser uma alternativa do ônibus, com vantagem. Mais barato, mais rápido, mais seguro, mais confortável. Principalmente para os motoristas que usam o carro e que engarrafam as vias públicas.

Os ônibus? Ah, aí precisa auditar a planilha, ter coragem de encarar os feudos quase centenários que mandam nas empresas (ou é uma só?). Não pode jantar as escondidas no Graciosa. Não pode se submeter a aumentos chantagistas sob pena de paralisar os ônibus.

A eleição dos motoristas e cobradores é feita e disputada nos bastidores dos patrões. Os ônibus estão sucateados, vencidos. Mas na planilha da tarifa, tem percentual para renovar frota, para manutenção. Afinal, veículo que transita em canaleta, não tem o desgaste que qualquer outro tem ou teria.

Uma boa manutenção e a vida útil se alonga. O problema é que ninguém quer isto, digo, daqueles que estão no comando. Pros negócios, é bom que quebrem, que apareçam velhos, decadentes. Justifica aumentos, né?!

Ousadia! Coragem. Inovação. E isto não se faz com dirigente interino. Nem com Gestao Municipal preocupada em fantasia, em chinezar nossa praça. Em recapar ruas por 10 dias. Somente durante o dia. Com usina própria ao invés de estimular parcerias com todas e usar as 24 horas que um dia oferece.

Curitiba tem história. Tem tradição. O modelo de transporte ainda é o melhor.

Os terminais, todos, foram construídos por Saul Raiz e Jaime Lerner. Lá em 1978,79, 1980 a 1982. Com dinheiro quase de graça do BNDES. Tem um plano de recuperação, também com dinheiro lá do BNDES, mas que anda a passos de tartaruga.

Hoje, pode-se dar aos terminais uma visão mais moderna, podemos pensar em publicidade, os banheiros foram feitos para alguns milhares, hoje são milhões de usuários. Devem ser refeitos. Ampliados.

Enfim, Curitiba não pode ser governada de brincadeira. Precisa de profissional. E qualquer curitibano já nasce especialista em transporte urbano, em área verde, em canaleta, em estação tubo. E quando vota, procura votar em quem pensa que é igual.

Um ex Prefeito, moldado nos anos dourados da revolução urbana,  teria tudo pra ser porta voz desta vontade.

Por quê será que não é?

  • Ericoh Morbiz Érico-Morbis_avatar_1479923126-50x50
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