Uma pantera querida, charmosa e cor-de-rosa

Cerimônia de Entrega de Espadim

Cerimônia de Entrega de Espadim. Foto: Portal da AMAN

Se todos nós tínhamos apelido, por que professores e instrutores deixariam de ter? Se eles e nós tínhamos apelido, por que deixaria de ter a própria escola? Alguns dos nossos são impublicáveis, enquanto o dela era (e continua sendo) muito charmoso: “Pantera Cor-de-Rosa”, conhecida assim graças à cor de suas paredes e em alusão a um simpático personagem de desenho animado.

Pois foi bem nela que nos reencontramos no último 25 de novembro. Nos reunimos para comemorar os 50 anos de formatura. Seria mesmo algo a ser comemorado? – questionou alguém, que recebeu um sonoro “sim” como resposta. Precisávamos nos rever, nem que fosse apenas para agradecer por ainda estarmos por aqui, neste planeta cada dia mais violento e complicado, enquanto 26 colegas já partiram. Além do mais, não seria apenas um simples cinquentenário a comemorar. Celebraríamos 50 anos da mais pura amizade, sedimentada em três anos de rigoroso internato, de professores exigentes, de instrutores rígidos e do abrupto rompimento do cordão umbilical aos 14, 15 anos de idade.

Todos nos ajudamos a suportar aquilo tudo, além de os colegas terem, de certa forma, substituído nossas mães, nossos pais e irmãos distantes, num tempo em que a contato com eles se limitava, quase que exclusivamente, às cartas, longas e demoradas, tanto para ir quanto para voltar.

Fomos 94 a nos formar. Desses, cerca de 70 seguiram para a Academia Militar. Vinte seguiram outras vocações, todos com sucesso. Destes, uns 10 também estiveram lá no último dia 25.

Na Escola, a grande novidade neste 2017, foi o ingresso de mulheres. Elas serão as primeiras a se formar na Academia Militar das Agulhas Negras e a seguir a carreira de oficial combatente do Exército Brasileiro. Mais do que nunca, acreditamos no seu sucesso.

Vale ressaltar que a escola do nosso tempo era um verdadeiro canteiro de obras, pois ainda estava em construção. Hoje, “tem até vidro em todas as janelas”. Ela está bela como nunca, resultado do empenho de várias gerações que por ela passaram e a ela se dedicaram.

Falando em dedicação, não podemos deixar de agradecer aos colegas que se empenharam na organização de uma festa à altura do nosso cinquentenário e da nossa amizade, cujos apelidos iniciam por Za…, Ma… e Ca…

Mas, como os nossos apelidos são um verdadeiro “segredo de estado” da Turma Marechal Castello Branco, faço questão de nominá-los, em ordem alfabética, pelo nome-de-guerra: Eliasar, Gonzaga e Melo.

Seu trabalho foi tão bom, que a turma já os escolheu para organizar a festa do nosso centenário. Onde? Certamente não será na querida e charmosa Pantera Cor-de-Rosa. Quem sabe, a resposta esteja nas entrelinhas da própria canção da Escola: “No azul do firmamento,/ Cintilante apareceu/ A estrela abençoada…”

Não posso encerrar sem antes sugerir a quem ainda não conhece a “Pantera Cor-de-Rosa”, que, quando for a Campinas, dê uma passada no bairro do Castelo para contemplar uma fantástica e imponente obra da nossa Engenharia.

Lançamento Livro de Hamilton Bonat

*Hamilton Bonat é membro efetivo da Academia de Letras José de Alencar

Fonte: http://www.bonat.com.br/

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