ALEP – Frente Parlamentar se reúne para debater embargo a exportação da carne de frango para a Europa

Indústria de Aves Copagril, em Marechal Cândido Rondon.Foto: O Presente

Indústria de Aves Copagril, em Marechal Cândido Rondon. Foto: O Presente

A Frente Parlamentar para Estudos acerca do Embargo à Exportação de Frango Brasileiro pela União Europeia criada na Assembleia Legislativa do Paraná para acompanhar a questão que vem preocupando a classe produtora regional, reuniu-se na manhã desta segunda-feira (7), sob a presidência do deputado Elio Rusch (DEM), que substituiu na ocasião o coordenador do grupo, deputado Schiavinato (PP), para aprovar seu regimento interno e ouvir representantes da área sobre os efeitos da medida na economia estadual.

Rusch elencou as iniciativas tomadas até agora em busca de soluções para o problema, enquanto o relator, deputado Guto Silva (PSD), expôs alguns temas abordados durante a visita técnica recentemente feita por uma comissão de embaixadores da comunidade europeia ao Paraná, frisando que o assunto vem sendo tratado em nível de governo federal, sem previsão de prazos para a suspensão do embargo. O deputado Wilmar Reichembach (PSC) distribuiu cópias de documento resultante do Seminário da Avicultura do Sudoeste do Paraná, realizado na semana passada para discutir a questão. O texto enumera reivindicações a serem encaminhadas a lideranças dos governos federal e estadual e seus órgãos competentes, bem como a lideranças regionais, sugerindo a adoção de medidas urgentes para salvaguardar as atividades do setor.

Medida contraditória – Francisco Simioni, diretor do Departamento de Economia Rural (DERAL) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, apontou o viés “extremamente econômico” da medida tomada na Europa, acentuando a importância da mobilização em defesa dos interesses estaduais, principalmente levando em conta que o setor representa 60 mil empregos diretos e 600 mil indiretos. Referindo-se ao alto custo da manutenção dos alojamentos (aviários), sugeriu a postergação de dívidas e contratos junto ao BNDES.

Rafael Gonçalves Dias, representante da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), também rechaçou o caráter sanitário da restrição, reforçando que nada mudou na qualidade da carne produzida em território paranaense e reconhecida como uma das melhores do mundo. Cleverson Freitas, superintendente federal do Ministério da Agricultura no Paraná, disse que o embargo é dirigido a algumas grandes empresas e que o governo federal está tratando do assunto junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Também anunciou que o Ministério da Agricultura está convocando mais de 300 médicos veterinários e auditores, 52 deles apenas para o Paraná.

Alexandre Lobo, coordenador do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), defendeu, por sua vez, a renegociação das dívidas dos produtores que se socorrem de financiamentos; enquanto Marcos Júnior, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), apontou a baixa qualidade da distribuição de energia nas áreas rurais, obrigando os proprietários de aviários ao uso de geradores, o que encarece sensivelmente a produção.

Ícaro Fiechter, diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) reclamou da medida adotada pela União Europeia, qualificando-a de injusta, altamente prejudicial à economia da região e sem razão de ser, uma vez que o pagamento de multa/tonelada pode abrir as portas da Europa à carne brasileira. Nelson Costa, superintendente da Ocepar chamou a atenção para vários fatores que vem interferindo no segmento há cerca de três anos: o aumento da produção, a diminuição do consumo interno e a falta de competitividade, que vem fazendo o país perder espaço no mercado internacional. Também lamentou a diminuição dos turnos portuários, que deixa a descoberto o período das 22 horas às 6 horas, contribuindo para aumentar os custos da produção.

O deputado estadual Jonas Guimarães (PSB), que é produtor de frangos, disse que a questão é basicamente econômica, comercial. Concordou com o exagero no número de alojamentos, disse que as grandes empresas estão jogando seus excedentes no mercado interno e provocando o aviltamento dos preços, e que as constantes quedas de energia na área rural se devem ao sistema bifásico. Segundo ele, o sistema, para melhorar a qualidade da energia distribuída, deveria ser trifásico.

Ao encerrar os trabalhos, Rusch pediu empenho da bancada federal paranaense na defesa dos produtores avícolas, frisando que o agronegócio é responsável por um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Participaram da reunião, ainda, os deputados Anibelli Neto (PMDB), Claudio Palozi (PSC), Rasca Rodrigues (Podemos) e Nereu Moura (PMDB).

Fonte: ALEP

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