G7 acredita na instauração do caos no Paraná e pede trégua

G7, grupo que agrega as entidades representativas de todo o setor produtivo do Paraná, em entrevista coletiva, realizada nesta segunda- -feira (28), na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), destacou o cenário econômico e produtivo do Paraná após o oitavo dia da paralisação dos caminhoneiros.

Os presidentes das entidades pontuaram as perdas que oneram e afetam toda a cadeia produtiva do estado e são unânimes ao afirmar que a situação do Paraná é crítica e que os prejuízos são irrecuperáveis.

Confira os depoimentos de todos os presidentes integrantes do G7:

Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) e coordenador do G7, Darci Piana:
“Os estoques estão praticamente terminados. Falamos principalmente na questão da alimentação, dos supermercados, mercearias, hostifrutigranjeiros, que estão quase zerados e isso começa a preocupar os nossos comerciantes. Quanto aos demais estoques, de roupa, calçados, não são segmentos que estão com as maiores dificuldades, mas apresentam problemas pela falta de movimentação das pessoas que não se deslocam de casa por falta combustível. Isto traz um prejuízo enorme, principalmente na redução das vendas. Estamos vivendo um ano bastante complicado e complexo em virtude da não recuperação das vendas e isto ajuda a pesar na conta da luz, da água, do telefone, salário, 13º e férias. Faltarão recursos no caixa dos comerciantes de um modo geral. Não adianta a agricultura e a indústria produzirem se não houver comércio para vender. Nós estamos encurralados em virtude da falta de mercadorias. Estamos falando em quase três milhões de empregos no estado do Paraná, em 540 mil empresas de comércio no estado e algo em torno de 60% do PIB estadual. Imagine o tamanho da responsabilidade que temos nas mãos, pelo volume de pessoas que terão que receber os seus salários e estas empresas, por falta de vendas, por falta de produtos, por não ter o que vender, deixarão de cumprir com seus compromissos. Isso refletirá na receita do estado, trará aborrecimentos seríssimos, na hora que a população não tiver o que comprar, não tiver o que comer. Na medida em que as pessoas não tiverem acesso aos produtos, será um caos. Precisamos ter consciência, encontrar uma solução que seja razoável para ambos os lados, e que saibamos que não podemos continuar assim. Se as propostas foram feitas e aceitas, assinado acordo, está na hora de termos consciência que toda a economia, toda a estrutura produtiva e toda a população não podem ser prejudicados”.

Presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken:
“Chegamos a um limite máximo. Há uma semana, não se entrega nenhum litro de leite, nenhum pacote de trigo, nenhuma carne, nem óleo, nem verduras, nem industrializados. Há uma semana não se entrega mais nada e há uma semana os animais estão sem comida. Só de pintinhos, tivemos que sacrificar 6,9 milhões de aves. Isso faz com que tenhamos mais uma semana de desabastecimento porque não haverá produção. A situação é gravíssima. Nós chegamos a uma situação de desabastecimento de comida a curto prazo, com prejuízos à população como um todo. Precisamos sensibilizar as autoridades da gravidade. O G7 analisou esta situação com profundidade e nós vamos manifestar isso à governadora, às autoridades e aos responsáveis pelo estado do Paraná. Se em algum momento este movimento teve uma causa nobre, agora os prejuízos são muito grandes e a gente quer fazer um apelo para que seja retomado o abastecimento. Nesta semana tivemos um prejuízo irrecuperável de R$170 milhões já contabilizados. Só as cooperativas perderam três milhões de litros de leite por dia. 70 mil cabeças de suínos e 14 milhões de aves deixaram de ser abatidos somente no Paraná.”

Presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo:
“Um dia de operação da indústria paranaense equivale a R$550 milhões. Considerando que no primeiro dia de greve não tivemos a redução máxima, hoje, no oitavo dia da greve, podemos considerar que de R$350 milhões a R$400 milhões/dia a indústria do Paraná deixa de faturar. Para se ter uma ideia da gravidade, todas as cadeias produtivas do estado estão atingidas. No setor moveleiro da região de Arapongas, são 900 indústrias que estão paralisadas porque não há ferragens e não há matéria prima para abastecimento. O parque moageiro do Paraná, de milho e trigo, está paralisado. As panificadoras, supermercados e varejo não estão sendo atendidos. Em uma semana, o setor está praticamente todo desabastecido. O caos está instaurado no estado do Paraná. Infelizmente, dentro dos próximos dias, ficarão desabastecidos, é um clima de caos completo. O que é muito grave, é a questão sanitária. Estes animais que estão sendo abatidos, não podem ser transportados para a incineração. Estamos correndo o risco de termos uma epidemia e prejudicar toda a exportação brasileira. Hoje existe um acordo fitossanitário nas regiões. A partir deste momento que estas aves passam a ser abatidas elas podem causar um grave problema para as exportações brasileiras. Os contratos de exportação não estão sendo cumpridos. Os navios estão parados no porto de Paranaguá aguardando o carregamento para alcançar os mercados. O prejuízo que está sendo trazido nesse momento é praticamente incalculável.”

Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette:
“Se consideramos apenas o setor de agricultura, o número de pessoas empregadas no meio rural chega a dezenas de milhares de trabalhadores parados. Se pegarmos o setor sucroalcooleiro, são praticamente 50 mil trabalhadores diretos. Não temos nem combustível para buscarmos o trabalhador e o levarmos para trabalhar na propriedade rural. Estamos vivendo um momento de caos, de chantagens. A sociedade não pode permitir isso. A pauta que foi apresentada no início, com redução do valor do diesel, PIS, COFINS foi atendida. Estamos vendo hoje um movimento de anarquia, e quem vai pagar a conta disso será a sociedade na hora de comprar os produtos para sua alimentação e subsistência. Temos milhares de litros de leite que não podem ser levados para lugar nenhum, nem para o consumidor, nem para o laticínio. Quem está por traz deste movimento quer o caos da sociedade, conseguirão, caso atitudes enérgicas não forem tomadas nos próximos dias.”

Presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (FACIAP), Marco Tadeu Barbosa:
“Nós representamos o comércio do estado. São mais de 60 mil empresas, destas, 95% micro e pequenas. Tivemos o Dia das Mães, um respiro a mais, pois é a segunda data mais importante para o comércio, mas já entramos na sequência com esta escassez de vendas. Estamos falando em desemprego direto na ponta e no comércio. Muitas pessoas acham que o comércio não está sendo atingido ainda, mas está sim. Ele é o reflexo do restante do setor produtivo. Está na hora de colocarmos a mão na consciência e pensar no país e não em projeto político.”

Presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Coronel Sérgio Malucelli:
“Nós estamos com problemas em todos os setores de combustíveis, mas a nossa maior preocupação hoje é o óleo diesel, que é aquele que faz com que a máquina do transporte caminhe. Nós precisamos de 18 milhões litro/dia, nos 2.750 postos de combustível – 350 deles em Curitiba e que tiveram um reabastecimento no dia de hoje em apenas 40 deles, com 120 mil litros no total. A crise é enorme! Precisamos, com urgência, que os nossos autônomos, que são imprescindíveis para o nosso transporte, tenham a consciência quão são importantes para o nosso dia a dia e de nossas empresas. Pedimos que a comunidade nos ajude também a fazer com que eles entendam essa importância e voltem para suas funções.”

Presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Gláucio Geara:
“Para nós do comércio que representamos os micro, pequenos e médios comerciantes a situação de desabastecimento ainda não está existindo em sua totalidade, mas o grande problema que enfrentamos no momento é a paralisação do comércio. Estamos em oito dias com a greve dos caminhoneiros e um problema grande com relação ao acesso ao combustível. Nós prevemos que teremos mais uns seis ou sete dias neste cenário, porque temos neste meio tempo um feriado, que será emendado, e que gera um prejuízo ao comércio muito grande. O setor, no final de mês tem que pagar seus funcionários, suas folhas de pagamento e seus tributos. E o que nós estamos propondo ao governo é de que houvesse uma dilação do pagamento do ICMS do mês de maio por parte do estado e, também, do ISS por parte da prefeitura de Curitiba. Seria um alívio, porque não temos caixa para pagar os compromissos de final de mês.” Após a entrevista coletiva, os representantes seguiram para o Palácio Iguaçu para reunião com o governadora do estado, Cida Borghetti.

Fonte: Fecomércio/PR

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