Dólar, combustíveis e greve dos caminhoneiros impulsionam custos industriais

Dolar-Moeda estrangeira

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O indicador de custos industriais apresentou crescimento de 3,7% no segundo trimestre de 2018, em comparação com o primeiro trimestre, na série livre de efeitos sazonais. Esse é o maior crescimento trimestral do indicador desde o quarto trimestre de 2015, quando a expansão foi de 3,8%.

O crescimento foi puxado pela alta de 6,4% no índice de custo com bens intermediários e pela alta de 8,5% nos custos com energia. O custo com energia subiu puxado pelo aumento de 24,4% no custo com óleo combustível no trimestre, enquanto o custo com intermediários se eleva por causa da desvalorização do real e do aumento de preços decorrente da escassez causada pela greve dos caminhoneiros.

As reduções no índice de custo com capital de giro (-3,8%) e no índice de custo tributário (-1,7%) contribuíram para mitigar a alta do indicador no trimestre.

A indústria mantém sua lucratividade no trimestre, pois o aumento de preços dos
produtos manufaturados foi de 3,8%, indicando capacidade de repasse do aumento de 3,7% nos custos. A indústria também ganhou Dólar, combustíveis e greve dos caminhoneiros impulsionam custos industriais competitividade no trimestre, apesar do aumento dos custos, em decorrência da desvalorização cambial no período, que levou o preço dos produtos manufaturados importados, em reais, a subir 13,6% e o preço dos produtos manufaturados nos Estados Unidos, em reais, a subir 13,5%.

Custos industriais sobem 3,7% no primeiro trimestre

A alta de 3,7% nos custos industriais foi puxada pelo aumento de 6,4% no custo com bens intermediários e pelo aumento de 8,5% nos custos com energia. A desvalorização do real no segundo trimestre de 2018 contribuiu para um aumento de 15,1% no custo com bens intermediários importados. A desvalorização cambial, associada ao aumento no preço internacional de petróleo, elevou o preço do óleo combustível, impactando o custo com energia. Adicionalmente, a escassez resultante da greve dos caminhoneiros gerou
crescimento de 4,9% no custo com intermediários domésticos no segundo trimestre.

A redução de 3,8% no custo com capital de giro e a redução de 1,7% no custo tributário ajudaram a conter o crescimento. O custo com capital de giro se destaca com a nona retração seguida, marcando o maior período de queda ininterrupta dos juros desde o início da série, em 2006.

Custo com intermediários importados sobe por causa da desvalorização cambial

O crescimento de 6,4% no custo com bens intermediários no segundo trimestre de 2018 foi puxado pelo aumento de 15,2% no custo com intermediários importados. Essa elevação foi, em grande parte, motivada pela depreciação do real no período – entre o primeiro e o segundo trimestres de 2018, o real se desvalorizou em 11,2%.

Além da variação do custo com intermediários importados, o crescimento 4,9% no custo com intermediários domésticos também contribuiu decisivamente para o aumento do indicador médio. Essa foi a maior variação trimestre a trimestre do custo com intermediários domésticos desde o quatro trimestre de 2015 e foi influenciada pela escassez de produtos decorrente da greve dos caminhoneiros em maio deste ano, além do aumento no custo de transporte decorrente do tabelamento do transporte rodoviário.

Custo com energia apresenta 4º trimestre consecutivo de crescimento

O custo com energia apresentou crescimento de 8,5% no segundo trimestre de 2018, em comparação com o primeiro trimestre, na série livre de efeitos sazonais. Esse foi o maior crescimento do índice de custo com energia desde o segundo trimestre de 2015.

O índice de custo com energia é composto pelos custos com energia elétrica e com óleo combustível. Enquanto a alta de 2015 foi causada, principalmente, pelo aumento no custo com energia elétrica, o crescimento atual é puxado pelo custo com óleo combustível, que apresentou crescimento de 24,4% no segundo trimestre de 2018. O aumento acentuado no preço do óleo combustível pode ser explicado pela conjunção da acentuada desvalorização cambial no trimestre com o aumento de cerca de 11% no preço internacional do petróleo no período.

LUCRATIVIDADE E COMPETITIVIDADE

Desvalorização do real frente ao dólar aumenta custo de importados, beneficiando indústria brasileira

Enquanto os custos industriais aumentaram 3,7% no segundo trimestre de 2018, na série
livre de efeitos sazonais, os preços dos produtos manufaturados se elevaram em 3,8%, mostrando capacidade de a indústria repassar o aumento de custos do trimestre aos consumidores, preservando a lucratividade no trimestre.

No segundo trimestre de 2018, a desvalorização do real elevou o preço dos manufaturados importados, em reais, em 13,6%, aumentando a competitividade dos manufaturados nacionais no mercado doméstico. A desvalorização também contribuiu para elevar em 13,5% o preço dos produtos manufaturados nos Estados Unidos, em reais.

Com isso, a indústria brasileira, que enfrentou um aumento de custo de 3,7%, ganha competitividade no mercado internacional. Apesar dos ganhos imediatos de competitividade para as empresas que já são exportadoras, a instabilidade cambial impõe riscos à continuidade da expansão das exportações, pois gera incerteza sobre a receita com as vendas externas.

Fonte: CNI

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