Desenvolvimento econômico e o novo governo do Brasil – as expectativas da indústria para os próximos quatro anos

*Por Rommel Barion

Rommel Barion – Presidente do InPar

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há no Brasil 52 milhões de cidadãos vivendo com R$ 387,07 por mês. Você seria capaz de viver com esse valor? E com R$ 220? Impossível? Mas, ainda de acordo com o IBGE, há 24,8 milhões de brasileiros vivendo com menos do que isso. Afinal, não somos um país rico?

Dados levantados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), há ainda outros 4,4 milhões de brasileiros que “vivem” com míseros R$ 73,00, valor equivalente a aproximadamente 18 litros de gasolina, ou dois ingressos de cinema, em uma vida de sofrimento e de luta diária. São quase cem milhões de pessoas vivendo em condições precárias, e se você ganha mais que R$ 1 mil por mês, então não faz parte desse contingente.

Se fizermos uma breve comparação das condições de competitividade das nossas empresas com empresas de países com ambiente menos hostil aos negócios, vemos que a diferença é abissal. A produtividade de nossas empresas é baixa, de modo geral, em relação aos nossos competidores internacionais. Evidente que temos setores muito competitivos em nosso país, mas a produtividade de um brasileiro é a metade daquela de um americano, ou talvez até menor, visto que está entre as mais baixas do mundo – segundo o International Institute for Management Development, a produtividade por pessoa empregada, por hora, no Brasil, é de US$ 19,52, enquanto a média dos países analisados é de US$ 40,54. Empresários são o baluarte do desenvolvimento, gerando riquezas, criando empregos, melhorando a condição de vida da comunidade em que estamos inseridos, mas a competição frente a tal discrepância é uma luta inglória.

Essas diferenças não são por acaso. Nossa infraestrutura é precária, nossa educação é um descalabro e as nossas leis são as mais estúpidas do mundo. Vivemos em um emaranhado de normas, regras, temos de lidar com profissionais desqualificados, irresponsabilidade por parte de alguns ativistas sindicais, falta de segurança, entre outros.

Uma empresa brasileira despende tempo para seguir 3.796 normas tributárias, uma fila interminável de papel que pode chegar a 6 quilômetros de normas, e é por conta disso que ocupamos a 109ª posição no ranking de facilidade de fazer negócios – atrás de Zâmbia, Tonga, Guatemala e Namíbia –, de acordo com o Banco Mundial.

Não existe milagre. O maior programa social se dá pelo desenvolvimento econômico.

É muito difícil gerar riqueza no ambiente em que vivemos no nosso país. Convivemos com milhares de profissionais mal remunerados, sem instrução, sem saúde, e cada vez mais abandonados pelas instituições e sem proteção, muitos deles sem qualquer perspectiva de vida e amor próprio. Eles vivem a tragédia que cai diariamente em seus colos, enquanto deveriam ser a prioridade do governo.

Se você ainda está lendo esse texto, você não faz parte dessa parcela da sociedade. Assim, eu pergunto: O que podemos esperar do novo governo? A esperança reacendeu, os empresários voltaram a confiar no país, novos investimentos, melhor infraestrutura, segurança jurídica. Esses são apenas alguns dos depoimentos entusiasmados e cheios de patriotismo.

O empresário é um eterno otimista e, na sua grande maioria, está confiante de que dias melhores estão por vir, tanto para seus negócios quanto para a comunidade em que está inserido.

O Inpar – Instituto Paranaense de Reciclagem, instituição sem fins lucrativos, representante de parte da indústria de alimentos do estado do Paraná, que tenho o privilégio de presidir – vem investido em ações que se traduzem na melhoria da condição de vida da comunidade de catadores de resíduos e de suas associações, por meio de investimentos em equipamentos, capacitação, acompanhamento de ações em campo, entre outras.

Também participamos de ações com a finalidade de preservação do meio ambiente, orientando sobre o descarte correto de resíduos e, dessa forma, reduzindo a contaminação do ambiente e a poluição dos mares.

Nossas ações podem representar um grão de areia no deserto, mas, por mais tímidas que pareçam, elas fazem a diferença. Estamos contribuindo com parte daqueles cidadãos citados no início desse texto e também com o seu entorno. Somos empresários responsáveis e comprometidos com o desenvolvimento do nosso estado, e esperamos que o recém-empossado governo tenha um olhar para esses desafios que a população vem enfrentando dia após dia. Somente gerando uma condição favorável aos negócios, com regulamentação mais simplificada, segurança jurídica e transparência é que os empregos voltarão. Assim, haverá melhora na renda da população, criando um clima virtuoso e permanente de desenvolvimento econômico.

Desejamos sucesso ao novo governo e deixamos aqui o nosso enorme interesse em participar e colaborar com as ações que possam se traduzir em melhoria do ambiente econômico e social do nosso querido estado do Paraná.

*Rommel Barion é presidente do InPAR – Instituto Paranaense de Reciclagem –, e do Sincabima – Sindicato das Indústrias de Cacau e Balas, Massas Alimentícias e Biscoitos, de Doces e Conservas Alimentícias do Paraná.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s