Usar o cartão de crédito requer autoconhecimento e estratégias

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Saber usar o cartão de crédito é um desafio para muita gente. Há cerca de cinco anos, a servidora Patricia Mendes Maurer, da Coordenação de Contratos e Inovação da Secretaria de Planejamento e Administração, aboliu totalmente o cartão de crédito da sua vida. “Agora só compro quando tenho dinheiro e não compro parcelado”, diz a servidora, que trabalha há 18 anos na Prefeitura.

A carteira que leva na bolsa só tem o cartão de débito para as compras. “Quase não uso o dinheiro em espécie porque o débito é aceito em praticamente todos os lugares”, afirma.

Patricia mandou cancelar a função crédito do cartão depois de uma experiência negativa. Teve que fazer um empréstimo para pagar a fatura. “Não foi bom, decidi suspender e desde então não uso mais. Quando quero comprar alguma coisa agora, eu junto o dinheiro”, relata a servidora.

Na opinião de Patricia, com o cartão de crédito a pessoa acaba gastando mais do que pode. Ela lembra que no começo foi difícil a adaptação. Hoje, ela e as filhas adolescentes estão acostumadas. “Se querem alguma coisa temos que planejar para fazermos aquele gasto”, conta. “Houve um aprendizado para todos nós em casa, adultos e crianças”.

Autoconhecimento

Não ver o dinheiro que se está gastando é um dos desafios que o cartão de crédito impõe. “Com tanta facilidade, a pessoa pode fazer compra por impulso”, declara a professora Adriana Sbicca Fernandes, do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná, uma especialista na área que alia conceitos da economia aos da psicologia, de forma interdisciplinar.

Para ligar o sinal de alerta, o consumidor pode observar se aquela compra está sendo feita de forma impulsiva, automática. “Autoconhecimento é fundamental para não cair em armadilhas. Se a pessoa já tiver vivido uma experiência ruim, é preciso levar esse aprendizado para a vida. Em alguns casos, o melhor é não ter cartão de crédito”, diz.


Dinheiro de plástico tem também aspectos positivos

Ainda que o cartão de crédito possa ser uma armadilha para algumas pessoas, é possível evitar cair nela. “O cartão também tem benefícios”, alerta a professora Adriana Sbicca Fernandes, do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná.

De acordo com ela, o uso do cartão é uma das muitas decisões econômicas que tomamos todos os dias. “Daí a importância de cada um de nós se conhecer cada vez mais e melhor e observar como nos comportamos em cada situação”, opina.

A professora destaca que, entre os aspectos positivos, está o fato de que o cartão de crédito torna a vida muito prática, pois é um meio de pagamento amplamente aceito.

Você sabe onde está gastando?

Outro aspecto é que a fatura do cartão de crédito pode ajudar a pessoa a se organizar. “É fundamental que cada um de nós analise a fatura, veja onde está gastando. Existem cartões que dividem as compras em categorias, outros permitem visualizar em gráficos com formato de pizza onde os gastos são feitos. Não é preciso um relatório econômico, mas é importante analisar, estudar os gastos que foram feitos”, diz.

A professora sugere que as pessoas podem estabelecer restrições em relação ao consumo. “O desafio de quem tem o cartão de crédito é usá-lo aliado à capacidade de pagamento e ao desejo de comprometer a renda. A pessoa pode ter um valor para gastar no cartão, mas decidir usá-lo para outra finalidade. Isso é planejamento de finanças pessoais”, declara.

Adriana ressalta que para quem tem renda menor o planejamento é ainda mais importante. Diante de uma realidade mais restritiva, algumas pessoas buscam as linhas de crédito pré-aprovadas e os empréstimos consignados.

“Eles têm riscos e é preciso ter ainda mais cuidado. Nós, servidores públicos, representamos baixo risco para as instituições financeiras. Por isso, geralmente, temos um limite alto, além da nossa capacidade de pagamento”, diz a professora, ao ressaltar o risco de o cartão de crédito ser usado para o financiamento da compra de bens.

“Parcelamento das compras é algo típico do brasileiro”, diz a professora ao lembrar que parcelamento é dívida, incide juro, seja cartão de crédito ou outro mecanismo.

Muita gente desconhece a taxa de juro do cartão de crédito e decide pagar apenas parte da fatura (crédito rotativo). “O juro rotativo é altíssimo, chega a 300% ao ano. É o maior do Brasil”, declara a professora.


Dicas da professora Adriana Sbicca para quem usa o cartão de crédito:

– Planeje o que vai comprar. Tome decisões depois que definir suas metas de compras.

– Pesquise pela internet o preço do produto, antes de comprar. Analise a melhor data ou época do ano para fazer a compra.

– Não compre na hora. Se estiver num shopping, antes de efetuar a compra, dê uma volta. Se necessário, conte até dez. O sistema 2 da economia comportamental nos leva a pensar antes de agir.

– Se está gastando muito, crie auto-restrições. Uma delas pode ser alterar o limite de compras junto ao banco.

– Analise a fatura do cartão de crédito. Acompanhe onde está gastando o seu dinheiro.

Fonte: Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba

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