LOGÍSTICA REVERSA: Uma Questão de Posicionamento Estratégico das Empresas

Rui Gerson Brandt

Um dos problemas evidentes no Brasil diz respeito ao manejo de resíduos sólidos urbanos, principalmente quando se trata dos impactos ambientais e da preservação dos recursos naturais. Os impactos causados no meio ambiente pela produção desenfreada de resíduos sólidos têm levado o governo e a sociedade a promover estudos direcionados às alternativas que visam a minimizar a degradação da natureza e aumentar o bem estar da sociedade como um todo.

No país são coletadas diariamente 255 toneladas de resíduos sólidos. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2018, 53% do lixo vão para aterros sanitários e em 23% deles, para aterros controlados. Atualmente, dos 97% dos resíduos sólidos domésticos recolhidos, apenas 12% são reciclados. Para minimizar estes fatores, possibilitando melhoria na gestão de resíduos, o governo tem investido em políticas normativas, direcionando as ações dos gestores, tanto nos setores governamentais quanto empresariais.

Diante dessas informações, percebe-se que o volume crescente das vendas, do consumismo exagerado e da inovação tecnológica, torna os produtos descartáveis e obsoletos cada vez mais rápidos. Isto gera preocupação, pois, para onde vão os materiais pós-consumo? Quais ações devem ser adotadas pelas organizações para viabilizar o processo de logística reversa, agregando valores econômicos, sociais e ambientais? Sendo assim, associado a este contexto ressalta-se ainda mais a importância da logística reversa.

No Brasil, após décadas de discussões, inúmeras comissões e trâmites diversos, em 2010 foram aprovados pelo Senado Federal, a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Com a implantação da Lei nº 12.305, de 2 de Agosto 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ficou estabelecido o compartilhamento de responsabilidades pelo ciclo de vida dos produtos entre o poder público, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes.

O objetivo do acordo é minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental, decorrentes do excesso de resíduos descartados no meio ambiente.

Ainda segundo a lei, a logística reversa é vista como um instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos descartados no processo produtivo, dando uma destinação final ambientalmente adequada.

O processo de reciclagem é considerado um dos aspectos mais importantes na estruturação dos canais reversos, que devidamente estruturados e organizados, possibilitam que os bens duráveis ou descartáveis possam ser aproveitados ou remanufaturados, retornando ao mercado secundário ou à própria indústria de modo a adequar o crescimento econômico às variáveis ambientais.

Por Rui Gerson Brandt
Presidente do Sinpacel

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