Homeopatia – Plausibilidade do modelo científico homeopático na medicina contemporânea do Brasil

*Marcus Zulian Teixeira

O modelo homeopático de tratamento das enfermidades, fundamentado em 1796 pelo médico alemão Samuel Hahnemann, emprega premissas epistemológicas distintas das preconizadas pela medicina convencional, tais como: princípio da similitude terapêutica, experimentação patogenética dos medicamentos em indivíduos sadios, emprego de medicamentos dinamizados (diluídos e sucussionados) e individualizados segundo a totalidade sintomática característica do binômio doente-doença. Ao contrário do que se propaga, a episteme homeopática apresenta inúmeras evidências científicas (Teixeira, 2011).

Embora a homeopatia seja utilizada em diversos países, trazendo importantes contribuições à saúde individual e coletiva há mais de duzentos anos, tenha sido reconhecida como prática médica no Brasil desde o final do século XIX e como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 1980, esteja disponibilizada em serviços públicos de saúde desde 1985, possua milhares de médicos homeopatas atuantes no país e continue formando novos especialistas (cursos de pós-graduação e residência médica, recentemente), o desconhecimento, a ignorância ou a negação dos pressupostos homeopáticos e suas evidências científicas pela classe médica e científica geram preconceitos que se perpetuam há décadas, agravados pela ausência do ensino regular da homeopatia na grade curricular das faculdades de medicina (Teixeira, Lin, Martins, 2004; Teixeira, 2007; Teixeira, Lin, 2013; Barros, Fiuza, 2014).

Apesar de o Ministério da Saúde ter instituído, em 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (Brasil, 2006), com a qual visa apoiar e estimular o ensino, a pesquisa e a assistência em diversas práticas integrativas e complementares no SUS, a medicina homeopática continua sendo marginalizada por gestores, profissionais da saúde, mídias e redes sociais, que justificam e reforçam suas críticas no falso jargão, repetidamente evocado, que diz não existirem evidências científicas que embasem o tratamento homeopático. Infelizmente, essa pós-verdade, modelando a opinião pública contrariamente à aceitação dessa prática médica bissecular, cria barreiras para que gestores invistam em políticas de saúde que viabilizem o tratamento homeopático à população (Salles, Schraiber, 2009), ampliando uma já existente e expressiva demanda reprimida por esses serviços nas redes pública e privada de saúde (Monteiro, Iriart, 2007).

Para desmitificar a falácia de que “não existem evidências científicas em homeopatia”, disseminada indistintamente por todos os meios e em todos os segmentos da sociedade, a Câmara Técnica de Homeopatia (CT-Homeopatia) do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp, 20 dez. 2017) elaborou o “Dossiê Especial: Evidências Científicas em Homeopatia” (Cremesp,13 set. 2017), disponibilizado em 2017 na Revista de Homeopatia da Associação Paulista de Homeopatia (APH) em três edições independentes: online em português (Cremesp, 1 jul. 2017), on-line em inglês (Cremesp, 2 out. 2017) e impressa em português (Cremesp, 7 dez. 2017).

Englobando nove revisões que abarcam as principais linhas de pesquisa existentes (histórica, sociopolítica, educação médica, farmacológica, básica, clínica, segurança e experimentação patogenética) e reúnem centenas de estudos publicados em periódicos científicos distintos, além de dois ensaios clínicos randomizados e placebo-controlados desenvolvidos por membros da CT-Homeopatia do Cremesp em renomadas instituições de pesquisa, o dossiê evidencia o estado da arte da pesquisa em homeopatia.

Apesar das dificuldades encontradas no desenvolvimento de pesquisas na área, seja pelos aspectos metodológicos e/ou pela ausência de apoio institucional e financeiro, o conjunto de estudos experimentais e clínicos citados, que fundamentam os pressupostos homeopáticos e confirmam a eficácia e a segurança da terapêutica, é prova inconteste de que “existem evidências científicas em homeopatia”, contrariando o preconceito arraigado à cultura médica, científica e popular.

Com a elaboração e a livre divulgação do referido dossiê, esperamos esclarecer e sensibilizar médicos, pesquisadores, demais profissionais e gestores de políticas de saúde, assim como mídias e população em geral sobre a validade e a importância do emprego da homeopatia como prática médica complementar às demais especialidades, a fim de se incrementar o ato médico, ampliar o entendimento do processo de adoecimento humano, aumentar a resolutividade das doenças crônicas, minimizar os eventos adversos dos fármacos modernos e fortalecer a relação médico/paciente, entre outros aspectos.

*Marcus Zulian Teixeira

http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v26n4/0104-5970-hcsm-26-04-1393.pdf

Fonte: Marcus Zulian Teixeira /USP

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