Marco do saneamento eleva potencial do biogás em 3 milhões de m³/dia

O novo marco legal do saneamento básico, aprovado pelo Senado na semana passada, eleva a produção potencial de biometano em 2,9 milhões de m3/dia, oriundo do biogás gerado nas estações de tratamento de esgoto (ETEs)

Imagem ilustrativa

O volume corresponde a 10% da meta da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), que estima ser possível entregar 30 milhões de m³/dia a partir do biocombustível em 2030.

“A partir da atual rede de esgoto, temos um potencial de geração de biometano de mais de 1,5 milhão de m³/dia. Volume suficiente para o abastecimento de quase 80 mil veículos dia. Com a nova legislação, se atingirmos toda a população, a gente iria praticamente dobrar a capacidade”, explica Gabriel Kropsch, vice-presidente da Abiogás.

A meta está em consonância com a proposta do marco do saneamento que estabelece que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% ao tratamento e à coleta de esgoto até 2033. Atualmente, esses números são de 83,6% e 53,2%, respectivamente.

Isto significa que 101 milhões de brasileiros ainda não possuem rede de esgoto e quase 40 milhões não têm acesso à água tratada.

Segundo ele, o uso mais nobre do biogás é como substituto ao diesel, uma vez que parte do óleo é importado e a produção de biometano seria local. Além do fator ambiental, sendo o biogás 100% renovável, contribuindo para redução de poluentes, material particulado, e a incidência de problemas respiratórios na população.

“Seria um ganho tano para saúde pública como para a economia (…) Hoje, podemos dizer que temos todo um arcabouço legal nas esferas estaduais e federais que dão tranquilidade para este tipo de investimento, possibilitando monetizar aquele ativo que agora está sendo desperdiçado”, diz Kropsch.

Novos agentes no mercado de saneamento

texto aprovado no Senado facilita a privatização de estatais do setor de saneamento e permite que os municípios abram licitação, em que será obrigatória a concorrência com empresas privadas para prestação dos serviços de água e esgoto.

De acordo com Kropsch, o biogás pode contribuir para rentabilidadeviabilidade econômica dos projetos de novas empresas no setor como uma fonte de receita adicional para as operadoras das ETEs. Isto é, o biogás produzido a partir do tratamento de esgoto pode servir tanto para geração de energia, como para a produção de biometano.

Atualmente, 84% das plantas de biogás no Brasil atuam na geração de energia elétrica, enquanto apenas 1% delas produz biometano. Ainda assim, a participação do biogás na oferta interna de energia elétrica é de apenas 0,1%. Na geração distribuída, são 211 plantas de geração distribuída com capacidade de 41 mil kW, segundo dados da Aneel.

Se considerarmos apenas a capacidade das ETEs já existentes, o potencial de geração de energia pode chegar a 6.276 GWh por ano.

“A implementação dos projetos de biogás são de curto prazo, de um ano e meio a dois anos. A produção de biogás tem baixíssimo custo operacional e a geração de caixa desses projetos é muito alta, chegando a 60%. Além disso, o risco é muito baixo, devido ao potencial de mercado. O investimento é alto, mas a rentabilidade vem com essa geração de caixa, sem falar que sua matéria-prima é resíduo”, diz Kropsch.

Alto gasto com eletricidade em ETEs

principal custo operacional das ETEs é o alto gasto com eletricidade. Dados apontam que as estações de tratamento consomem 3% de toda a energia elétrica consumida no Brasil.

bioeletricidade e o biometano produzidos pelas unidades, tanto podem ser consumidos pela própria planta, amortizando custos operacionais, como os excedentes podem ser vendidos no mercado.

Em São Paulo, a Sabesp possui um projeto piloto em que utiliza o biometano produzido nas ETEs para abastecer a frota de veículos da empresa no município de Franca, interior do Estado. Já no Paraná, a Sanepar implantou a primeira usina no Brasil de geração distribuída de energia elétrica movida a biogás oriundo do tratamento de esgoto.

“O biogás é viável tecnicamente e economicamente em várias escalas, desde uma unidade de pequeno porte, gerando energia para ela mesma, ou biometano para própria frota de veículos, até uma unidade de grande escala para exportação de energia ou biometano para o mercado. São tecnologias viáveis através de modelos de negócios diferentes”, explica Kropsch.

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