O fomento ao plantio da espécie está sob a responsabilidade do Departamento de Floresta Plantada (Deflop), órgão criado pelo governador Beto Richa para ampliar a política de florestas plantadas e trabalhar diretamente com a silvicultura, que irá desenvolver ações para intensificar o plantio de seringueira de forma maciça. O Estado conta apenas com 2.800 hectares plantados atualmente.
Deflop, Emater, Cocamar e prefeituras irão estimular proprietários rurais para o plantio da seringueira nas regiões definidas no Zoneamento Agroclimático elaborado pelo Iapar. A meta da Secretaria é plantar 400 hectares da espécie até 2014. Para isso, será necessário o plantio de 200 mil mudas.
Este prazo poderá ser reduzido caso as grandes indústrias consumidoras de borracha participem no apoio ao fomento junto aos produtores rurais daquela região, observou o diretor do Deflop, Mariano Felix Duran.
CUSTO – Na implantação da cultura, o produtor tem um custo avaliado em R$ 7 mil por hectare. Deste total, 50% correspondem ao investimento em mudas. Entre o 6º ou 7º ano a árvore entra em processo de produção, e quando atinge 10 anos passa a produzir de 600 a 800 gramas de látex, que proporciona uma renda média de R$ 1.100,00 por hectare/mês.
A seringueira é explorada durante 10 meses do ano. Durante dois meses as árvores são deixadas para um processo de recuperação. Uma árvore permanece produtiva durante 35 anos e ao final deste ciclo ainda é feito o aproveitamento da madeira para móveis e energia.
Outra grande vantagem é que a seringueira pode ser plantada em consórcio com outras culturas agrícolas. O café é consenso diante de uma pesquisa conduzida pelo Iapar onde ambas as culturas são beneficiadas no processo pelo aumentando da produtividade.
ALTERNATIVA PARA A REGIÃO – Duran cita como exemplo um pequeno produtor de Indianópolis, Ângelo Romero, que tem uma área de 4,5 hectares de seringueira plantados e obtém renda em torno de R$ 3,6 mil por mês. “O látex tem sido uma das melhores alternativas de cultivo para nossa região. O noroeste paranaense tem um solo muito arenoso que é ideal para a seringueira”, diz Romero.
O produtor afirma que o subsídio do governo será fundamental para fomentar a produção de látex no Estado. “O Paraná está atrasado na cultura do cultivo do látex em relação a outros estados brasileiros. Essa ação do governo será um indutor da cultura”, garante Romero, que cultiva seringueira há 13 anos. Segundo ele, nas melhores épocas é possível retirar até duas toneladas de látex da sua produção.
PARCERIAS E RENDIMENTO – O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) desenvolveu pesquisa científica que dá o suporte ao plantio da nas regiões Norte e Noroeste do Estado. O órgão desenvolveu clones da espécie já adaptados e também definiu um zoneamento agroclimático indicando as melhores localidades onde o plantio da seringueira pode ser implantado.
Segundo Mariano Felix Duran, a Secretaria da Agricultura conta com a Emater, que faz o serviço de extensão rural e assistência técnica junto ao produtor rural e com a Cocamar, que buscará incentivar o plantio da seringueira entre seus cooperados.
Para o produtor, o plantio de seringueira surge como oportunidade de bons rendimentos e de desenvolvimento sustentável. A atividade se adapta na região do Arenito Caiuá (Noroeste do Estado), onde há poucas opções de geração de renda na pequena, média e grande propriedade.
