
Andrade: programa é vital para setores da indústria como os de máquinas e equipamentos. Foto Miguel Angelo
Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, considerou fundamental a prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), executado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O adiamento foi anunciado na reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC), nesta quarta-feira, 2 de fevereiro, no Ministério da Fazenda, da qual o presidente da CNI participou.
Previsto para acabar em março, o PSI financia a aquisição de itens como máquinas e equipamentos novos e caminhões, entre outros bens. “O programa é fundamental para alguns setores da indústria, principalmente os de máquinas e equipamentos. Os dados que temos é que R$ 45 bilhões do BNDES foram destinados a pequenas e médias empresas pelo PSI”, declarou Andrade.
Na primeira reunião do GAC do novo governo, empresários de diferentes segmentos da indústria apresentaram propostas para o Brasil se tornar mais competitivo no mercado mundial e enfrentar a concorrência de empresas da China.
“Discutimos a desoneração das exportações, dos investimentos e da folha salarial, além da ampliação da defesa comercial do mercado brasileiro”, informou o presidente da CNI. Assinalou que a redução dos encargos trabalhistas é um pleito antigo do setor empresarial porque permite a geração de mais empregos.
Explicou que a desoneração da folha deverá ser avaliada porque nem todas as medidas podem gerar o efeito esperado, a exemplo da redução das contribuições para o Sistema S, que inclui o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).
“Um dos grandes gargalos que temos hoje para o crescimento da economia brasileira é a formação de mão de obra. O SENAI e o SESI já investem cerca de 90% dos recursos que recebem na educação e qualificação do trabalhador. Temos que aumentar os recursos destinados à formação do trabalhador e não reduzir”, ressaltou Robson Braga de Andrade. A contribuição para o SESI e SENAI hoje somam 2,5% da folha de salários.
Entre as propostas da CNI para tornar o país mais competitivo está a elevação da tributação sobre os recursos externos aplicados na especulação. O presidente da CNI defendeu ainda um tratamento isonômico entre os produtos brasileiros e os importados para que o país possa competir em pé de igualdade com seus concorrentes.
“Os produtos brasileiros precisam seguir determinadas regras e exigências que os produtos estrangeiros não seguem. Alimentos brasileiros passam por controles até de rotulagem, o que não é exigido do produto importado”, exemplificou Andrade.
De acordo com o presidente da CNI, essas medidas de defesa comercial trazem resultados mais efetivos do que aumentar o imposto de importação de alguns produtos. ”Essa questão é muito controvertida porque hoje alguns setores da indústria também se beneficiam de alíquotas baixas de importação”, concluiu ele.
Fonte: CNI