CNI reduz previsão de alta do PIB a 3,5% em 2011

Aumento dos custos salariais sem crescimento da produtividade reduz previsão do PIB - Miguel Angelo

Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reviu para baixo as previsões de alguns indicadores econômicos para este ano, estimando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 3,5% e da produção industrial em 2,8%, segundo o Informe Conjuntural do primeiro trimestre. O estudo anterior, de dezembro, projetava altas de 4,5% tanto para o PIB quanto para a produção da indústria em 2011. O PIB cresceu 7,6% no ano passado.

Já a previsão da inflação, que era de 5%, subiu um ponto percentual, com uma estimativa de 6%. O principal fator de pressão inflacionária, diz a CNI, virá dos preços dos serviços, que apresentam média do acumulado anual de 6,3% e levam tempo para arrefecer. Com peso de 25% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial, os preços dos serviços estão elevados por três razões básicas, aponta o Informe Conjuntural: bom desempenho da demanda interna, falta de trabalhador qualificado no mercado, que eleva os preços dos serviços prestados por ele; grande quantidade de preços atrelados a índices de inflação, como os alugueis.

A CNI atribui a queda no ritmo de expansão da produção industrial e do PIB, que irá se elevar menos do que a metade da alta de 2010, à desaceleração do crescimento do consumo das famílias – cuja taxa reduziu de 5,1% , na projeção de dezembro, para 4,5% – e ao aumento dos custos salariais sem aumento correspondente da produtividade. De acordo com o Informe Conjuntural, o ritmo do consumo das famílias será menor pelo encarecimento do crédito e os custos salariais acima da produtividade têm sido provocados pelo pleno emprego aliado à escassez de mão de obra qualificada.
“Somado a isso, apesar do mercado de trabalho continuar mostrando bom desempenho, o ritmo de contratação já mostra perda de ritmo, uma vez que os investimentos crescem em menor intensidade”, assinala o Informe Conjuntural.

NOVO TOM – O estudo da CNI destaca que a inflação em alta, o crescimento mais moderado e a continuidade do forte ingresso de recursos externos dão novo tom à conjuntura econômica no primeiro trimestre de 2011. “Esse cenário altera o foco da política econômica, que necessariamente deverá dar maior atenção à trajetória da inflação”, alerta a entidade.

A CNI ressalta a importância da política fiscal para controlar a aceleração inflacionária. “O eixo principal do esforço de convergência da inflação para sua meta deverá ser a política fiscal. Os compromissos com a meta fiscal precisam ser mais explícitos e compatíveis com esse esforço. Do contrário, o ônus recairá sobre o setor produtivo” adverte a instituição.

O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, que divulgou o estudo, elogiou a disposição do governo de conter os gastos públicos, com o anúncio do corte de R$ 50 bilhões no orçamento. Ressaltou, todavia, que tal disposição deve ser permanente. “Como os resultados da política fiscal surgem a longo prazo, é preciso manter a meta de contenção por mais longo tempo”, sugeriu.

O Informe Conjuntural do primeiro trimestre prevê uma taxa nominal de juros de 12,5% no fim do ano (era de 12% nas projeções de dezembro) e um juro real médio anual de 5,4% (contra 6,3% na previsão anterior). O déficit público nominal e o superávit público primário estão projetados em 3,05% e 2,70% do PIB, respectivamente. A taxa de câmbio é estimada em R$ 1,63 em dezembro (era de R$ 1,70 no último estudo).

A CNI alterou para cima sua expectativa do volume das exportações, que passou de US$ 228 bilhões para US$ 250 bilhões, e das importações – de US$ 224 bilhões para US$ 230 bilhões. A previsão do superávit da balança comercial subiu significativamente, de US$ 4 bilhões para US$ 20 bilhões, em função, especialmente, da perspectiva de continuidade da alta dos preços das commodities.

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Fonte: CNI