“Pense bem sobre as consequências de jogar fora dez anos de trabalho multilateral sólido. Trabalhe em casa para construir o apoio para a abertura do comércio. Use as próximas semanas para conversar entre si e construir pontes”, disse Lamy, no comunicado, alertando que no próximo dia 29 serão retomadas as discussões de Doha .
Em seguida, o diretor-geral acrescentou que o quadro completo sobre a situação das negociações envolvendo Doha é realista sobre as questões que ainda dividem os negociadores e concluiu que “a exitosa da rodada corre sério risco”.
Segundo ele, os detalhes das negociações promovidas até 2011 “não deixam dúvida” sobre os avanços alcançados, mas alerta que é necessário mais. “Uma conclusão bem-sucedida acrescentaria uma grande variedade de benefícios potenciais em nível mundial. Isso significaria mais comércio e melhores regras de comércio, oferecendo oportunidades para investimentos e empregos. Mais oportunidades para os mais pobres”, diz a nota.
Para Lamy, é fundamental que os líderes políticos mundiais observem que o caminho no século 21 é o “investimento no multilateralismo”. Porém, ele lembrou que as dificuldades, principalmente no acesso a mercados para produtos industrializados, são visíveis e o esforço deve envolver uma articulação na busca pela solução.
“Creio que estamos confrontados com um hiato político”, disse o diretor-geral da OMC. “As diferenças hoje efetivamente estão bloqueando o progresso e a colocação de uma grave dúvida sobre a conclusão da Rodada Doha este ano”, afirmou. “Essa é uma situação grave para a Rodada [Doha] e é preciso que se façam esforços.”
Lamy lembrou que as regras atuais da OMC foram reformuladas em 1995. Nos últimos 16 anos, o mundo do comércio “evoluiu”, segundo ele, alterando os pilares das negociações multilaterais, da vigilância sobre o sistema e a busca de solução de controvérsias. Segundo ele, embora as medidas são eficientes necessitam de “atualização”.
Fonte: Agência Brasil