Brasília – A alta da inflação – cujo acumulado anual está em 6,55% em maio, acima do teto da meta inflacionária – afetou significativamente a massa salarial e o rendimento médio reais dos trabalhadores da indústria em abril. Enquanto a massa salarial teve redução de 3,5% na comparação com março, o rendimento diminuiu 4% no período, segundo dados sem ajustes sazonais da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira, 7 de junho.
Os indicadores de produção, contudo, apresentaram sinais diferenciados, afetados ainda pelo calendário atípico, com o feriadão do carnaval em março, assinala o levantamento. Pelos dados sem influências sazonais, o faturamento real subiu 4,3% em abril sobre março, enquanto as horas trabalhadas aumentaram 1,5% e o emprego manteve-se praticamente estável, com declínio de 0,1%.
A indústria operou em abril, em média, com 82% da capacidade instalada (UCI), uma queda de 0,4 ponto percentual ante março, pelos dados dessazonalizados. Foi o segundo recuo consecutivo da UCI, que atingiu em abril o menor patamar desde fevereiro de 2010.
O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, afirmou que os resultados da pesquisa Indicadores Industriais em abril demonstram haver uma acomodação no ritmo da atividade industrial. A valorização cambial, o cenário internacional de economias desaquecidas, as medidas de contenção e de encarecimento do crédito tomadas pelo Banco Central são os principais fatores, segundo ele, na redução da expansão da indústria.
A inflação, que recuou em maio comparativamente a abril, registrando alta de 0,47%, contra 0,77% no mês anterior, foi o principal fator que corroeu a massa salarial e o rendimento médio real do trabalhador na indústria, assinalou Castelo Branco. Destacou que esta influência é ainda mais visível se for levado em conta que, em comparação a abril de 2010 – quando a inflação estava bem mais controlada – estes dois indicadores assinalam altas de 4,3% e 1,5%, respectivamente.
Quase metade dos setores da indústria de transformação registrou queda na produtividade em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. De acordo com a pesquisa, dos 19 setores analisados, nove apresentaram recuo na UCI sobre abril de 2010. Entre os segmentos que tiveram maior ociosidade estão couros e calçados, com queda de 4,4 pontos percentuais, têxtil, que recuou 3,5 pontos percentuais, e veículos automotores, com redução de 3,2 pontos percentuais.
Fonte: Agência CNI