O trem da ANTT

Um novo marco regulatório do setor ferroviário. É assim que o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, define as três resoluções (3.694, 3.695 e 3.696) publicadas nesta quarta-feira (20) no Diário Oficial da União. Há quem discorde. Samuel Gomes, ex-presidente da Ferroeste, em conversa com a jornalista Vera Gasparetto, diz que as medidas são o reconhecimento da incapacidade da ANTT em resolver a tragédia ferroviária brasileira e chamá-las de novo marco regulatório é apenas marketing.

 

Bitola estreita

Ainda para Figueiredo as resoluções deverão ampliar a competitividade no setor e reduzir fretes. Já Gomes destaca que o frete brasileiro é um dos mais caros do mundo porque se baseia no preço do caminhão e afirma que o modelo atual fracassou ao reduzir o uso da malha.

Seis por meia dúzia 

Samuel Gomes não poupa crítica à atuação da ANTT que, em sua opinião, não cumpriuo seu papel durante esses 15 anos de modelo privatizado. E o que ocorreu foi o monopólio privado substituindo o estatal, sem vantagem para o modal. Ao contrário, houve redução no uso da malha ferroviária.

Desvio

O ex-presidente da Ferroeste diz que hoje existe no Brasil uma “financeirização” da malha ferroviária, ou seja, ao invés de ser utilizada para o desenvolvimento do País, é um ativo de lucratividade rápida, alta e com o menor investimento possível.

Agulha no palheiro

Apesar de todas as críticas, Samuel Gomes aponta como fator positivo das resoluções deixar claro que o Brasil necessita de um novo sistema ferroviário, onde a Valec passe a ter funções de operação ferroviária, ainda que tenhamos operadora privada também, como funciona na Espanha e em toda a Europa.

Fonte: Portogente