Artigo: A hora das energias alternativas renováveis

A preocupação com a sustentabilidade do planeta ganhou dimensão a partir do debate sobre o aquecimento global. Alguns estudiosos apontam graves consequências tais como aumento da temperatura da Terra capaz de provocar o deslocamento de milhões de pessoas devido à desertificação de imensas porções de território, além do derretimento de neve até então perene, como nos polos e cordilheiras.

Ocupa manchetes, e maior espaço na agenda dos governantes, o cuidado com o meio ambiente no planejamento, na construção e na operação de rodovias, portos e aeroportos, grandes conglomerados industriais, condomínios urbanos e, mais especificamente, empreendimentos para geração de eletricidade. O conceito de desenvolvimento se tornou mais complexo.

Nesse contexto, o exemplo brasileiro salta aos olhos. O país é um dos que levam adiante um plano com metas de crescimento superiores às encontradas mundialmente. Sua contrapartida ambiental valoriza as fontes renováveis de energia elétrica e a desoneração desse segmento de negócio.

Por isso não foi surpresa o incentivo governamental no estado de São Paulo ao incremento da geração renovável pela redução do ICMS na aquisição de equipamentos destinados à cogeração de eletricidade pelas usinas autoprodutoras. Essa medida, individualmente, reduzirá em 7% a 8% os custos desse processo.

A busca por utilização de eletricidade proveniente de fontes renováveis se consolida no mercado. Contribuiu para isso o recente acidente nuclear na usina atômica japonesa de Fukushima, que desencadeou uma rediscussão mundial em relação a essa fonte geradora. A Alemanha brecou todos os seus projetos nucleares para obtenção de energia elétrica, em face do risco existente nessas centrais. Quarta potência industrial do mundo, o país discute agora uma completa transformação de suas estruturas de geração, distribuição e consumo de energia.

Essa tendência fortalece a busca pela eletricidade vinda da biomassa, dos ventos e das pequenas centrais hidrelétricas com baixo e controlado impacto ambiental. Nos próximos anos, as fontes alternativas renováveis terão uma contribuição multiplicada no cenário brasileiro. Pelo Plano Decenal de Expansão – PDE 2011 – 2020, colocado em consulta publica pela EPE, haverá um aumento de 56% na oferta de energia elétrica até 2020. Dos 110.000 MW hoje instalados no sistema, o Brasil alcançará em 2020 uma capacidade instalada de 171.900 MW. Serão destinados a essa expansão, recursos que atingem R$ 1 trilhão.

A contribuição das fontes alternativas crescerá bem acima da participação das outras fontes. Enquanto a capacidade instalada total brasileira crescerá 48% nesta década, a energia elétrica gerada pelos parques eólicos irá alcançar mais de 13 mil MW de potência instalada. As pequenas centrais hidrelétricas e a geração por biomassa aumentarão a capacidade instada em 74% e 58% respectivamente, fazendo com que as fontes alternativas renováveis, na média, cresçam no período 98%.

Enquanto a presença das fontes hidrelétricas na matriz energética brasileira recuará, a das fontes alternativas renováveis saltará de 8% para 16% nesta década. Evolução ainda mais sensível em especial na matriz eólica, que será responsável por 7% de toda a energia elétrica gerada no Brasil nos próximos anos, ante 1% atualmente.

Uma grande transformação intensificou-se no campo com a utilização do bagaço da cana-de-açúcar para geração de energia elétrica. A participação da biomassa na geração vai atingir 13.000 MW médios, suficientes para abastecer 20 milhões de brasileiros, o que equivale a três usinas do porte de Belo Monte.

A opção por fontes mais sustentáveis, que agridam menos o ambiente e alinhada com uma economia de baixo carbono, é definitiva. Grandes empresas brasileiras de energia estão deslocando seus investimentos para novas fontes de eletricidade. A CPFL Energia, uma das empresas protagonistas dessa nova tendência, saiu na frente ao anunciar a fusão de seus ativos de energia alternativa renovável com a Ersa, empresa focada neste segmento de energia, criando a CPFL Renováveis ,com um portfólio de projetos que se transformará em PCH’s , parques eólicos e termelétricas movidas a bagaço de cana-de-açúcar.

A atitude reativa que predominou até aqui no campo do desenvolvimento sustentável cede lugar à confiança nas soluções alternativas. O Brasil responde ao novo quadro com uma proposta moderna, que alia desenvolvimento a qualidade de vida, conforto, segurança e bem-estar do cidadão. As energias renováveis fazem parte dessa resposta aos desafios de infraestrutura que um país continental, com quase 200 milhões de habitantes, precisa ultrapassar.

Miguel Normando Abdalla Saad é copresidente da CPFL Renováveis

Fonte: Canal Energia