Brasil pode usar experiências da Nova Zelândia

São Paulo – Promover rapidamente as reformas, da maneira mais abrangente possível, para melhorar a competitividade do Brasil. Essa foi a principal lição que empresários brasileiros puderam tirar das ações promovidas pela Nova Zelândia, discutidas nesta segunda-feira, 7 de novembro, no seminário “A Experiência da Nova Zelândia e do Brasil: Estratégias de Competitividade e o Desafio da Concorrência com a Ásia”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em seu escritório de São Paulo.

O país da Oceania promoveu reformas tributária, comercial e fiscal e, com isso, se tornou mais competitivo em relação aos países asiáticos, seus principais concorrentes. Um dos pontos de destaque da Nova Zelândia é a facilidade de se promover negócios, de acordo com o relatório Doing Business, do Banco Mundial. Em apenas um dia é possível, por exemplo, abrir uma empresa na Nova Zelândia, contra 119 dias no Brasil, diz o relatório do Banco Mundial.

“Há diferentes complexidades entre a Nova Zelândia e o Brasil, mas também similaridades. Aqui é mais difícil promover uma ampla reforma tributária, o que estamos buscando há décadas. Mas é possível aumentar a eficiência das empresas ao diminuir mais rapidamente a burocracia”, analisou o diretor-executivo da CNI, José Augusto Fernandes.

QUESTÃO CAMBIAL

Bernard Appy, consultor da CNI e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, reconheceu que o Brasil tem de facilitar o funcionamento das empresas. “Do ponto de vista microeconômico, temos uma série de problemas de funcionamento do Estado e das empresas que precisamos resolver. Foi uma forte preocupação da Nova Zelândia que podemos adotar aqui”, declarou.

O diretor-executivo do Banco Mundial, John H. Whitehead, ex-Secretário do Tesouro neozelandês, disse que o Brasil pode usar principalmente três experiências da Nova Zelândia: “reduzir o nível e a variação do câmbio, diminuir as barreiras às exportações e lançar mão de medidas de aumento da competitividade internacional”, disse.

A questão cambial é comum aos dois países. Tanto o real quanto o dólar neozelandês estão valorizados em relação ao dólar norte-americano, o que incentiva o aumento das importações e reduz a atratividade da exportação. “O Brasil precisa de uma consolidação da reforma fiscal e necessita promover a reforma tributária para ter um câmbio menos valorizado”, explicou Whitehead.

Tanto os empresários brasileiros quanto os neozelandeses reconheceram que a adoção de políticas públicas que resultem numa mudança consistente do câmbio e sem riscos para a condução da política monetária é muito difícil de realizar.

Outro foco do debate foi a concorrência com a China e outros países asiáticos. Um dos participantes do encontro criticou o fato de o Brasil não ter nenhum centro de estudos sobre a economia chinesa, não incluir aulas de mandarim nos programas de ensino das universidades e não promover um intenso intercâmbio cultural com a China. “Tudo isso ajuda o país a se preparar melhor para a competição”, reconheceu John Whitehead, do Banco Mundial. Ele lembrou que há pelo menos 20 anos a Nova Zelândia tem ações de aproximação com a China, inclusive tendo assinado um tratado de livre-comércio.

Nesta terça-feira, 8 de novembro, os neozelandeses estarão em Brasília, onde se encontrarão com representantes do governo brasileiro.

Fonte: Agência CNI