Confiança do consumidor brasileiro caiu 1,7% em junho, preocupação com desemprego é causa maior

Brasília (02/07/12) – A confiança do consumidor brasileiro caiu 1,7% em junho na comparação com maio, de acordo com a pesquisa Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta segunda-feira, 02.07. O índice recuou de 114,6 para 112,6 de um mês para o outro, devido principalmente a uma preocupação maior com o desemprego e com uma situação financeira mais desfavorável, dois dos seis componentes do INEC.

O indicador voltou ao mesmo patamar verificado entre os meses de abril de 2011 e abril deste ano. “A queda em junho não é motivo de preocupação, uma vez que o indicador continua num patamar elevado, o mesmo verificado nos últimos 12 meses, mas demonstra claramente que o aumento de abril para maio, de 113 para 114,6, foi incomum, um ponto fora da curva”, afirmou o economista da CNI Marcelo Azevedo.

O indicador que mede a expectativa em relação à manutenção do emprego teve uma queda de 7,8% de maio, quando mediu 135,2, para junho, quando ficou em 124,6. “Foi forte esse aumento em relação ao medo do desemprego, chamando a atenção. Apesar disso, o indicador continua na média dos últimos 12 meses”, esclareceu Azevedo.

O índice que mede a situação financeira dos brasileiros retomou a trajetória de queda, que havia sido interrompida em maio. O indicador recuou 3%, de 114,4 para 111 (os indicadores do INEC são de base fixa, que é a média do ano de 2001). Foi a quarta queda no ano, o que levou o indicador a registrar o menor patamar desde setembro de 2009. “A avaliação do consumidor em relação à sua própria situação financeira está bastante negativa”, diagnosticou o economista da CNI.

A preocupação do brasileiro com os preços da economia também voltou a aumentar. O índice que mede a expectativa de inflação recuou 1,5%, de 144,2 para 112,5 (segundo a metodologia do INEC, quanto maiores os indicadores, melhores as percepções dos entrevistados sobre determinado aspecto). “Não é preocupante porque a expectativa de inflação teve a primeira piora em seis meses, depois de cinco altas seguidas, e está num patamar elevado”, explicou Azevedo.

O endividamento dos consumidores também ainda não é motivo de alarme, mostra a pesquisa INEC. O indicador referente ao endividamento cresceu 0,2%, de 105,1 para 105,3, ou seja, melhorou no mês. Ainda que o indicador esteja baixo, está na mesma faixa em que se encontrava há um ano. Em relação às compras de maior valor, o indicador teve queda de 0,2%, de 112,1 para 111,9.
O INEC foi realizado entre os dias 16 e 19 de junho pelo Ibope Inteligência a partir de 2.002 entrevistas em 141 município.

Fonte: Agência CNI