Os agricultores paranaenses não aprovaram a proposta do governo federal que prevê a construção de um ramal ferroviário entre os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul (SC). O trecho integraria o Programa de Investimento em Logística – PAC das Concessões.
Pela proposta do governo federal, a ligação do Oeste paranaense será feito pelo traçado Mafra/ São Francisco do Sul/Paranaguá. Outro ramal cruzaria o Estado indo de São Paulo ao Rio Grande do Sul. “Apesar de aumentar a malha ferroviária do Paraná, os dois novos trechos que vão cortar o Estado não devem elevar o volume de exportações via Porto de Paranaguá e tampouco vão contribuir para a modernização das ferrovias já existentes”, critica a reportagem.
A Faep diz ainda que o traçado e escolha de trilhos favorecem o escoamento das safras do Paraná e do Centro-Oeste brasileiro por Santos ou Rio Grande, bem mais distantes que Paranaguá, portanto com fretes mais caros. “Os tributos pagos pelos paranaenses em 2011 ao governo federal somaram R$ 35 bilhões. E o retorno?”, questiona a entidade.
ECONOMIA
A reportagem critica o traçado proposto, pois a ligação São Francisco do Sul – Paranaguá seria praticamente inviável. “Olhando-se para o mapa do sul do País, para ligar Paranaguá a São Francisco do Sul há duas baías e áreas de mangue ambientalmente protegidos a serem suplantadas: as de Guaratuba e Paranaguá”, afirma.
O informativo da Federação da Agricultura mostra também que o mapa utilizado na apresentação do “PAC das Concessões” a ligação ferroviária entre SP e RS coloca Mafra no lugar onde está Ponta Grossa.
PROFESSORES
“Digo ainda que este traçado é a ferrovia mais viável do país. Viável porque, para uma ferrovia se manter, ela precisa de carga e este traçado, além de transportar a produção industrial e agrícola paranaense, transportará também toda produção de grãos do Mato Grosso para o Porto”, avalia o professor da UFPR.
Segundo ele, a construção de um novo trecho na Serra do Mar tem menor impacto ambiental e menor custo do que a implantação de uma ferrovia entre Paranaguá e São Francisco do Sul. “Entre os dois locais o solo é mole e instável, de litoral. O Paraná não pode entregar todo o sistema de ferrovias e produção a outro Estado”, afirma. “É possível reduzir a interferência na natureza construindo viadutos e túneis (na Serra do Mar)”, completa Ratton.
Os professores alertam que, além de vencer o traçado da Serra do Mar, será necessário também modernizar o trecho de ferrovia entre Guarapuava e Ponta Grossa.