Os 10.457 docentes das 900 escolas da instituição receberão desde o treinamento básico até pós-graduação em docência da educação profissional e tecnológica
Depois de conquistar o segundo lugar na modalidade construção em alvenaria na Olimpíada do Conhecimento de 2006, realizada em Recife (PE), o paranaense Odair Pereira (foto acima) foi convidado a se tornar instrutor da escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em que estudou, em Curitiba. Ele aceitou e, seis anos depois, continua atuando na instituição, hoje como professor nas áreas de técnicas de edificação, como alvenaria, hidráulica e elétrica.
Odair é um dos alvos do Programa SENAI de Capacitação Docente, anunciado nesta quinta-feira, 15 de novembro, para mais de 300 professores de todos os Departamentos Regionais do país que participam da 7ª Olimpíada do Conhecimento, realizada pelo SENAI no Centro de Exposições do Anhembi, em São Paulo, até o próximo domingo, dia 18 de novembro.
Os professores, a maioria com histórias semelhantes à de Odair, ouviram do gerente-executivo de Educação Profissional e Tecnológica do Departamento Nacional do SENAI, Rolando Vargas Vallejos, que o objetivo do projeto é propiciar a eles as competências para o desenvolvimento de cursos, de concepção e prática pedagógica, e de avaliação.
“São três competências fundamentais para um bom desempenho do professor, que já tem o saber técnico da sua área, mas muitas vezes ainda não domina a didática”, citou Vallejos. De acordo com ele, cada professor, a depender do nível em que se encontra, terá uma carga horária diferente.
Patamar de qualidade nacional – O SENAI tem, em todo o Brasil, 10.457 professores. Entre eles, 3.791 têm nível técnico e 683, nível técnico e formação pedagógica. Outros 3.790 têm graduação e 1.186, graduação e formação pedagógica. Com o objetivo de oferecer cursos no mesmo patamar de qualidade, alguns dos módulos serão oferecidos a distância.
As ações de capacitação devem começar em março de 2013. Até lá, o Departamento Nacional fará um trabalho junto aos Departamentos Regionais para incentivar a participação dos professores.
Para o instrutor que saiu direto da formação técnica para a docência, o primeiro curso terá duração de 60 horas, por exemplo. É o módulo básico, com iniciação à docência na educação profissional e tecnológica. Há um módulo introdutório de 180 horas, com comunicação profissional, tecnologias da informação e fundamentos para a prática docente. Em seguida, há módulos específicos de 300 horas, de plano de curso, preparação de atividades e avaliação do processo de ensino e aprendizagem, entre outros. Os professores também poderão cursar pós-graduação, de 420 horas, em docência da educação profissional e tecnológica.
A notícia foi bem recebida pelos professores presentes à Olimpíada, inclusive pelos que estão participando como avaliadores e instrutores. Márcio Nascimento, professor de técnicas em edificação no SENAI de Blumenau, em Santa Catarina, disse que a iniciativa do SENAI de procurar melhorar a pedagogia do ensino, tendo método de avaliação, é positiva. “É preciso sempre ter em vista o objetivo de aperfeiçoar a educação técnica e tecnológica”, salientou.
O próprio Odair Pereira comemorou o lançamento do programa. “Foi o que eu mais senti dificuldade quando comecei a dar aula no SENAI. Saí direto do curso para ser instrutor, não tinha nenhuma didática e tive de contar muito com a experiência e a ajuda de outros professores”, lembrou.
Joaquim Ribeiro (foto ao lado), professor de técnica de refrigeração no SENAI de Taguatinga (DF), no Distrito Federal, avaliou que o incentivo que o SENAI divulgou hoje é positivo. “O professor tem de aumentar o leque daquilo que pode ensinar e de como pode ensinar. Vou procurar fazer o programa”, antecipou.
Fonte: Agência CNI
