1. DESEMPENHO DA ECONOMIA
OS FATOS
A retração do PIB no terceiro trimestre gerou desdobramentos em várias dimensões: o governo federal anunciou a continuidade do programa de estímulos, lançando redução de encargos sociais na folha de pagamentos da construção civil, reforço no financiamento de veículos como tratores, extensão do Programa de Sustentação de Investimentos, um pacote para portos de R$ 30 bilhões até o fim de seu mandato e prometendo mais subsídios para novos setores. Em paralelo, sacramentou a queda nas tarifas de energia elétrica, que ficará na média de 16% brutos, um pouco abaixo dos 20% inicialmente estimados – porém mesmo assim positivos.
ANÁLISE (I)
Os dados divulgados– retração do terceiro trimestre, déficit comercial em outubro e previsão de crescimento discreto do PIB anual (em torno de 1,3%) -, desencadearam explicações, justificativas e críticas. O ministro Mantega atribuiu a redução do nível de atividades da economia à crise internacional, mas avaliou que a média dos últimos anos ainda se mantém positiva. Os críticos, de sua vez, censuraram intervenções aleatórias na economia e nos contratos (pedágio no câmbio, estímulos setoriais, redução de juros e queda nas tarifas de energia) como fatores que desestimularam o investimento, derrubando a expansão.
ANÁLISE (II)
O tsunami da crise mundial, desencadeada em 2008 e que persiste até agora, finalmente chegou ao Brasil. Não como a marolinha decantada, mas tampouco como o desastre previsto. Porque o país ainda exibe uma economia jovem, em que falta muito para construir (categoria de emergente de escala, “BRICs”). Por isso nem as autoridades devem se exasperar lançando iniciativas à direita e à esquerda sem maior profundidade, nem os agentes econômicos (e interessados políticos) devem explorar contradições do setor público ou desaminar do Brasil. A hora pede bom senso e perseverança para superar desafios e olhar pra frente: o Brasil é um país complexo, que atua em ritmo próprio e, se não está no pelotão de vanguarda, também não se arrasta no fim da fila. Na mesma linha, o ex-presidente FHC avalia que a presidente Dilma não deve lançar aos ombros a responsabilidade pela queda do PIB: o problema é geral… e, quanto ao ano, conjuntural.
2. ABRE-SE A SUCESSÃO
OS FATOS
O desdobramento das eleições municipais trouxe a antecipação da campanha sucessória de 2014 em que, de um lado o bloco situacionista se dispõe apresentar a recandidatura da presidente Dilma Rousseff e, de outro, começam a surgir os contendores no campo da oposição. O governador Eduardo Campos (Pernambuco), dirigente nacional do PSB, emitiu as primeiras críticas ao governo num ensaio preliminar de sua candidatura, enquanto o ex-presidente Fernando Henrique (PSDB) lançou o nome do senador Aécio Neves, que por enquanto faz um balé mineiro. Quer ser, mas disfarça que ainda é cedo… De concreto, Aécio se prepara para presidir o PSDB, uma plataforma para correr o país.
ANÁLISE
Tudo bem que os grupos partidários concorrentes se lancem na corrida sucessória. Afinal o país tem a vastidão de um continente e nomes alternativos ao situacionismo vigorante precisam se fazer conhecidos para disputar com igualdade de condições. Tudo é válido desde que o processo não contribua para acirrar ânimos – como estão a indicar as primeiras farpas lançadas de ambos os lados, governo e oposição. Enquanto os últimos fariam bem em moderar suas críticas (apregoando problemas mais graves do que a realidade) o governo deve se guardar da tentativa reducionista de debitar a sustentação de interesses legítimos ao vezo oposicionista (caso do imbróglio na redução do custo da energia).
3. FOCO NA ASIA
OS FATOS
Após a admissão da Palestina como estado-observador junto às Nações Unidas, aprovada pela assembleia geral da organização, o governo de Israel desencadeou uma resposta representada pela construção de mais casas de colonos israelenses nos territórios ocupados da Cisjordânia. Essa medida fez os holofotes da opinião internacional se voltarem para o conflito do Oriente Médio – que estava relativizado desde que os Estados Unidos reorientaram seu foco geopolítico. O governo Obama enxerga sua nova prioridade na Ásia mais distante, o Extremo Oriente, onde a China vai se tornando o ator mais representativo.
ANÁLISE
Nessa linha o reeleito presidente Obama fez sua primeira viagem internacional para os países do entorno chinês, reforçando laços e reafirmando compromissos. O esforço para manter a influência no Leste Asiático integra a nova visão geopolítica dos Estados Unidos, deixando curto espaço para intervenções no Oriente Médio – ressalvada a questão do Irã. E espaço ainda menor para as relações com a América Latina – o que afinal de contas, é bom: os países do hemisfério devem assumir responsabilidade num mundo em mudança.
4. PARANÁ, GOVERNO REAGE
OS FATOS
Um anuncio de página dupla nos jornais, citando localidades beneficiadas por decisões de investimento do setor privado que somam R$ 20 bilhões, foi a resposta do Governo paranaense às críticas de desempenho modesto. Em adição, a formalização do investimento da Ambev em nova fábrica – a ser localizada provavelmente em Ponta Grossa -, foi realizada em palácio, cercada de pompa e circunstância.
ANÁLISE
O anúncio de 20 bilhões de reais de investimentos à conta do programa Paraná Competitivo foi oportuno, conquanto críticos tenham observado forte concentração de aplicações no entorno da capital, ficando para o interior projetos mais discretos (alguns deles direcionados para o setor de industrialização de aves, a bola da vez nesta crise – ler a seguir). Mas no geral o Paraná se sai bem como destino de investimentos: um ranking elaborado pelo Centro de Liderança Pública (associado ao grupo de mídia britânica The Economist) situa nosso Estado em quinto lugar no Brasil – o Paraná é muito bom em infraestrutura, recursos humanos e sustentabilidade; bom em ambiente econômico e políticas para investimentos estrangeiros, sendo moderado em ambiente político.
NOTICIAS BOAS
Em meio ao cenário de turbulências, os registros positivos:
– o Brasil melhorou sua posição no índice mundial de corrupção, avançando da 73ª para a 69ª posição. Afora os países-laboratório (aqueles que por seu pequeno tamanho e população mais parecem com paraísos bíblicos), o Brasil se coloca bem na relação dos países de escala – sendo inclusive o melhor dos ‘BRICs’.
– Outra notícia favorável: a venda de tratores voltou a subir, embalada com o avanço do agronegócio que, ainda, tomou financiamentos de R$ 100 bi em crédito rural no Banco do Brasil.
– No Paraná o indicador de saúde da mulher também melhorou, com a menor taxa em morte materna (51,67 ocorrências por grupo de 100 mil nascidos vivos), fruto da extensão do programa de cuidados com a gestante iniciado em Curitiba – onde o índice é ainda mais próximo do estabelecido pela ONU, de 17,16 óbitos por 100 mil nascidos vivos.
NOTICIA RUIM
Entre os registros negativos da semana:
– no Paraná, espalhamento da crise no setor de industrialização de aves: a falta de uma política consistente para equilibrar a exportação de milho em grão com o abastecimento interno na preparação de rações para confinamento (de bovinos, suínos e principalmente aves), ao lado da retração na demanda externa, levou à desestruturação econômica de várias unidades – antes sólidas e representativas. Bola da vez na crise.
MISCELÂNEAS (I)
Governos da União Européia evoluindo no socorro à Grécia. A alternativa seria pior: o afastamento dos gregos e o início de ruptura do bloco do euro =/= Crise política no Egito, onde o novo presidente indicado pelo grupo radical Irmandade Muçulmana, tão logo assumiu o cargo pretendeu se investir de poderes ditatoriais, mostra quão longa é a jornada para a civilização democrática.
MISCELÂNEAS (II)
Presidente Dilma sinaliza disposição de negociar com o Congresso a aplicação dos royalties do petróleo. Governadores querem um destino mais amplo, para ações de conhecimento (graduação, pesquisa, etc). Operações da Polícia Federal contra focos localizados de corrupção criaram situação de “saia justa” para as autoridades. Afinal, qual o grau de subordinação da força policial ao ramo executivo numa democracia? =/= Supremo não acolheu proposta para reduzir penas no “mensalão”.
MISCELÂNEAS (III)
Em São Paulo o prefeito eleito Fernando Haddad avança na formação do governo local. Em Curitiba, Gustavo Fruet – após avaliação da gestão Luciano Ducci – garantiu que entrega obras prioritárias da Copa, entre elas o corredor Aeroporto-Rodoferroviaria =/= Suspender licença para instalação de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), como pretendem setores exaltados à conta de denuncias de favorecimento, é emenda pior que o soneto. O Brasil e o Paraná precisam dessa energia.
08/11/2012
Rafael de Lala,
Presidente da API – Associação Paranaense de Imprensa
Coordenação da Frente Suprapartidária do Paraná pela Democracia
e Grupo Integrado de Ações Federativas do Paraná
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