*Ney Leprevost
Em 2006 e 2007 o presidente da Venezuela , Hugo Chávez, tentava influenciar a política de toda América Latina.
No Paraná, em especial, encontrou grandes aliados no governo da época. Empresários e políticos ligados ao poder frequentavam a Venezuela em busca de bons negócios e alguns deles, de fato, enriqueceram.
A Tv Educativa , pertencente ao povo do Paraná, dedicava horas e horas da sua programação a divulgação dos “ideais bolivarianos” defendidos por Chávez.
“El comandante”, como era chamado em seu país, esteve duas vezes em visitas oficiais ao nosso estado. Chegou inclusive a financiar uma escola de doutrinação política para sem terras no interior
Como se não bastasse o fato de ter instituído uma ditadura disfarçada em seu país, Chávez era useiro e vezeiro em violar a soberania nacional de seus vizinhos.
Na Venezuela, perseguiu a imprensa , calou os jovens, fechou veículos de comunicações, amedrontou a oposição, aparelhou o judiciário e armou-se até os dentes com equipamento bélico russo.
Nenhum de seus crimes conhecidos, no entanto, compara-se ao de financiar os terroristas das FARC. A narcoguerrilha colombiana é responsável por grande fatia do tráfico internacional de drogas, por centenas de sequestros e pela morte de milhares de inocentes.
Chávez era um tiranete, travestido de esquerdista, na presidência de um país cheio de petróleo. Detentor de oratória fácil, grande carisma e muito dinheiro, conquistou seguidores fanáticos em todo continente.
Sua lenta agonia rumo a morte, somada a ampla cobertura da mídia, e aos mistérios que a cercam, certamente servirá para uma série de especulações conspiratórias e para sua “canonização” no ideário da esquerda mais radical.
Chefes de estado como o cocaleiro boliviano Evo Morales e a fanfarrona Cristina da Argentina, possivelmente se ajoelharão diante de seu túmulo. Lula irá ao sepultamento.
No Paraná, em 2007 , projeto de minha autoria , tornou Chávez persona non grata, ou pessoa que não é do nosso agrado. Com isto, ele perdeu os direitos e mordomias reservados a presidentes em visita ao nosso estado. De lá para cá, nunca mais voltou. A simplicidade e a falta de um aparato militar para acompanhar-lhe não seriam suportáveis.
Chávez era da estirpe de Fidel, um ditador simpático aos olhos dos mais distraídos. Afinal, livrou seu país de uma direita corrupta e reacionária. O problema é que introduziu nos círculos do poder uma burguesia ainda mais venal e sem escrúpulos do as oligarquias que sugavam a Venezuela. Novos ricos foram alçados ao círculo de poder por fazerem bons negócios com a indústria armamentista internacional, pelo ganho espúrio de dinheiro fácil em licitações viciadas de obras públicas e pelo intenso contrabando internacional de substâncias proibidas.
Mais do que qualquer um de seus numerosos ( e equivocados) fãs, lamento a morte do coronel Hugo Chávez. Pois gostaria muito que ele tivesse a oportunidade de pagar na justiça dos homens pelos crimes que cometeu contra a liberdade e a vida humana.
Que Deus tenha piedade da sua alma !
Fonte: Deputado Ney Leprevost