SUMÁRIO:
Safra pode chegar a 200 milhões de toneladas =/= Cai o sectário presidente do Egito =/= No Brasil governo desistiu do plebiscito para reforma política =/= Tema será debatido hoje pelas entidades =/= Marcha da insensatez continua causando estragos =/= Congresso elimina adicional sobre demissões.
1. NOTICIA BOA
– DO BRASIL
A safra prevista para o período 2013/14 deverá chegar a 200 milhões de toneladas, com destaque para soja e milho. O ponto negativo é a pressão sobre os preços do feijão e do trigo, só aqui incentivados.
2. CRISE NO EGITO
OS FATOS
O presidente do Egito, Moamed Mursi, foi derrubado por um movimento das forças armadas, que responderam à crescente mobilização popular contra a orientação sectária do governo. Mursi havia sido eleito há um ano, após outro movimento das ruas que levou à queda do antigo presidente-ditador no bojo da chamada Primavera Árabe. Escolhido em um pleito apertado, Mursi derrotou candidatos seculares voltados para a herança ocidentalizada do país e adotou medidas polêmicas que bloquearam o dialogo com as oposições, gerando o retorno dos protestos e, por fim, a intervenção militar.
ANÁLISE
Embora eleito sob as regras de uma democracia possível dentro de uma sociedade em transição, desde o início o presidente teve sua posição contestada: indicado pela Irmandade Muçulmana, um misto de grupamento religioso e partido político, Mursi continuou amarrado às limitações de pertencer a um núcleo islâmico: apoiou um papel crescente para o fundamentalismo de base religiosa, restringiu outras correntes seculares e, com isso, ampliou a instabilidade econômica crônica do país do Rio Nilo. Agora, expressando o salvacionismo castrense em sua dimensão mais pura, o Exército empossou como dirigente interino o presidente da Corte Suprema local e anunciou o propósito de realizar eleições em breve.
3. AQUI, RESPOSTA
OS FATOS
No Brasil o governo da presidente Dilma prosseguiu no esforço para responder às manifestações de rua que empolgaram a sociedade no mês de junho: recebeu representantes dos grupos de pressão, dialogou com ministros e governadores e remeteu ao Congresso um expediente com sugestões para consulta à nação sobre o tema político. A mensagem pedia que o Poder Legislativo convocasse um plebiscito para embasar reforma das instituições. Entre os pontos listados: sistema de eleição dos representantes parlamentares, forma de financiamento das campanhas e a coincidência de mandatos, entre outros.
A urgência nas decisões é explicável pela repercussão dos protestos de rua: todos os ocupantes de cargos executivos perderam popularidade nas pesquisas de opinião, da presidente passando pelos governadores, até os prefeitos das cidades maiores. Mas as fórmulas ensaiadas para as respostas foram sendo descartadas diante de empecilhos legais ou dificuldades práticas: primeiro, a tese da Constituinte exclusiva para um pacto político, agora, o plebiscito para as reformas.
ANÁLISE
Como existem diversas propostas de reforma política em tramitação – do Governo, do PMDB, das Oposições, de Entidades como a OAB,etc – e o tempo hábil para a realização do plebiscito é escasso segundo notou a Justiça Eleitoral – os legisladores optaram (E O GOVERNO ACABA DE CONCORDAR) por aproveitar projetos já em andamento para encaminhar a reforma. Se o movimento das ruas não retornar com força no segundo semestre a tendência de acomodação prevalecerá e apenas pontos limitados sofrerão mudança – coincidência de eleições, normas sobre organização partidária e iguais temas de baixo impacto.
A amplitude está em aberto, cabendo discussão a respeito, como faremos em reunião nesta manhã (ver adiante).
4. MARCHA DA INSENSATEZ
Nestes tempos diferenciados (alguns diriam, bicudos) soam como reproduções da “Marcha da Insensatez” (historiadora Bárbara Tuchman) certos comportamentos e posições expressos por figuras contemporâneas, causando estragos na coerência dos políticos e similares:
Entre eles:
1. O deputado Paulinho da Força – tentando criar mais um partido (apêndice ou “laranja” de sua central sindical)
2. Deputado Henrique Alves, presidente da Câmara; senador Renan Calheiros, do Senado – usando avião oficial em viagem particular (não lhes “caiu a ficha” cf. Cristóvam Buarque)
3. Governo insistindo em manter em pé o projeto Trem-Bala, quando o povo pede transporte nas cidades
4. Caminhoneiros pegando “carona” nos protestos para bloquear estradas
5. Passeatas de sindicalistas que reivindicam redução da jornada de
trabalho e aposentadoria antecipada (fim do fator previdenciário)
6. E manifestações similares, aqui e alhures.
MISCELÂNEA
Comportamento de países europeus que bloquearam o avião do presidente da Bolívia para evitar o trânsito do dissidente americano Edward Snowdon mostra a crua realidade do poder mundial =/= Brasil e Argentina buscando entendimento para manter vivo o Mercosul
MISCELÂNEA (II)
A eliminação da multa adicional de 10% sobre os atos de demissão de empregados sem justa causa, aprovada pelo Congresso, foi sinal de sensatez em época de crise mundial =/= A propósito, Lula teria instado com a presidente para realizar cortes de austeridade na máquina pública.
( Até 05 de Julho de 2013)
Rafael de Lala,
Presidente da API – Associação Paranaense de Imprensa
Fonte: API – Associação Paranaense de Imprensa