Áreas de gás não convencional podem receber até R$ 500 milhões

Empresas iniciam exploração a partir de abril de 2014; ambientalistas criticam

O Brasil inicia em 2014 os primeiros e importantes passos rumo à exploração de gás não convencional, embalado pelo avanço do shale gas (gás não convencional) cuja produção vem provocando uma revolução energética nos EUA. Nos próximos meses, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai concluir a regulamentação para permitir a exploração desse combustível – questionada por ambientalistas, por envolver tecnologia de fraturamento hidráulico, que tem risco de contaminar águas subterrâneas.

Até abril/14, serão assinados os contratos para o desenvolvimento dos 72 blocos em terra adquiridos na 12ª Rodada, realizada em novembro/13, em bacias onde há perspectiva da existência do gás. Os investimentos nesses blocos serão de R$ 500 milhões em até quatro anos.

O diretor da ANP Hélder Queiroz disse que o caminho será longo. Ele explicou que a jazida não convencional é encontrada em rochas com baixíssima porosidade e permeabilidade, que, por isso, precisam ser fraturadas para se conseguir a produção do gás ou do óleo.

Segundo Queiroz, a oferta de blocos em terra na 12ª Rodada foi importante para o Brasil passar a desenvolver mais estudos e conhecer o potencial geológico das bacias terrestres, ainda muito pouco conhecido, que podem conter significativas reservas de recursos petrolíferos não convencionais, óleo ou gás.

– Até agora, o Brasil perfurou 28 mil poços terrestres e marítimos em toda história exploratória de petróleo. No início de 2014, os EUA já tinham perfurado 100 mil poços em busca de shale gas. O Brasil está dando os primeiros passos agora – disse Queiroz.

Ele acrescentou que as bacias com maior probabilidade para a existência de gás não convencional são as do Recôncavo, na Bahia; Potiguar, no Rio Grande do Norte; Parnaíba, entre Piauí e Maranhão; Paraná; e a do São Francisco, em Minas Gerais.

EUA lideram setor

Os EUA lideram a exploração, que começou nos anos 1970. Segundo a consultoria IHS, o shale gas deve receber investimentos de US$ 1,9 trilhão entre 2010 e 2035 nos EUA, que preveem se tornar autossuficientes em petróleo até 2020.

A empresa brasileira Orteng começa a perfurar, no primeiro semestre de 2014, bloco na cidade mineira Morada Nova de Minas, usando tecnologia de fraturamento hidráulico. Segundo Frederico Macedo, presidente da empresa, até o momento a Orteng investiu R$ 35 milhões nos trabalhos exploratórios, mas, agora, os investimentos serão bem maiores. Já a Petra Energia, até dezembro de 2013, havia perfurado 21 poços na Bacia de São Francisco.

A exploração de gás não convencional vem sendo alvo de críticas porque a tecnologia usada, de fraturamento hidráulico, traz riscos, como a contaminação de aquíferos. Para fraturar a rocha, é preciso perfurar inúmeros poços e injetar elevados volumes de água, areia e produtos químicos, o que, segundo ambientalistas, ameaça contaminar os lençóis freáticos.

– A técnica de exploração envolve riscos. É intensa em uso de água com elementos químicos. A primeira preocupação é como será feito o descarte dessa água – diz Ricardo Baitello, do Greenpeace.

Fonte: Ramona Ordoñez e Bruno Rosa – O Globo