FATOS POLITICOS RECENTES e Análise da Conjuntura

SUMÁRIO

Volta o fluxo de capitais para emergentes =/= Crise no Leste Europeu é teste para a era pós-Guerra Fria =/= Painel do Clima adverte para medidas de correção do aquecimento global =/= Campanha eleitoral está nas ruas, apesar de lei “caolha” =/= Receber bem na Copa é missão de cidadãos responsáveis =/=

1. NOTICIA BOA:

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Foto: ABr

– Do Brasil: Após a turbulência nos dois primeiros meses do ano, o fluxo de capitais está voltando para os países emergentes, segundo dados divulgados por operadores financeiros. No Brasil essa correção de rumos já permitiu a entrada de mais de 10 bilhões de dólares, indicam levantamentos de gestoras financeiras e, além disso, empresas e bancos nacionais aproveitam a janela de oportunidades para captar recursos, lançando bônus nas principais praças financeiras. Os observadores avaliam que mesmo a instabilidade no Leste europeu não interromperá a corrente: capitais que estão deixando a Bolsa de Moscou, na Rússia, tendem a se encaminhar para países tidos por confiáveis por estarem longe do conflito, como o Brasil.

2. CRISE NO LESTE

OS FATOS

No Leste Europeu a crise deflagrada entre a Ucrânia e a Rússia, com o levante de separatistas pró-russos nas regiões limítrofes com o país governado por Putin, pode evoluir para uma guerra civil que desembocará na fragmentação ucraniana. Enquanto os rebeldes vão ocupando prédios governamentais  em um colar de cidades fronteiriças, a reação do governo central da Ucrânia tem se mostrado débil ou lenta – por razões derivadas da própria situação interna do país (um governo interino, crise econômica e de gestão financeira e uma população dividida, além da geopolítica desfavorável – país encravado dentro dos limites da Federação Russa ou de governos títeres).

ANÁLISE

O conflito que vai se desenhando no Leste Europeu, embora sem potencial para desaguar numa conflagração de alcance mundial, coloca sob pressão os governos ocidentais, principalmente os Estados Unidos, mas também as democracias européias que se congregam sob a União liderada pelo Reino Unido, França e Alemanha. No caso americano, o país está saindo do desgaste de atuações internacionais difíceis no Afeganistão e, sobretudo Iraque, enquanto os europeus federados ainda não consolidaram uma expressão militar capaz de se contrapor à potência russa. Resta a possibilidade de contenção da OTAN, a aliança militar do Ocidente por sua vez fragilizada pelos anos de calmaria pós-Guerra Fria.

3. PAINEL DO CLIMA ADVERTE

OS FATOS

Em meio a esse cenário o Painel Climático da ONU divulgou seu último relatório, alertando que há urgência de medidas corretivas imediatas no padrão global se o mundo quiser conter o aumento de 2% na temperatura do planeta. Essa é a condição para serem evitados desastres naturais mais severos do que a instabilidade que já vem sendo observada: secas dramáticas que afetam a produção agrícola e o abastecimento de água, chuvas e tempestades que devastam cidades e outras calamidades.

ANÁLISE

Para reverter esse quadro é preciso que a humanidade migre para atividades sustentáveis na agricultura e pecuária, na produção de energia, no sistema de transporte, na limitação do uso de recursos (embalagens, desperdícios, etc). Um dado importante é a recomendação de incremento no uso de energia gerada por usinas hidrelétricas (em contraste com a demonização desse recurso por pseudo-ambientalistas). Mas, por relevantes que tenham sido as conclusões dos cientistas, é duvidoso que governos e o público levem a sério as recomendações, no embalo de também pseudo-prioridades da conjuntura internacional.

Por isso, cabe a cada um de nós – seres que nos julgamos sensatos – realizar nossa parte, inclusive chamando atenção para o tema, como faz o GT de Cidadania e Responsabilidade Social e Ambiental do CEB.

4. CAMPANHA EM MARCHA

OS FATOS

Sob a caracterização de pré-campanha, pré-candidatura e artifícios similares, já estão em marcha as jornadas eleitorais para o principal cargo em disputa no ano, a Presidência da República. No lado situacionista o ex-presidente Lula reuniu-se com comunicadores de blogs para situar os parâmetros de atuação da presidente Dilma e aliados na busca pela recondução – após o que a ocupante do Planalto passou a utilizar um estilo mais incisivo nas suas reiteradas viagens pelo território nacional.

Nas oposições os dois postulantes mais competitivos também se movimentam: Eduardo Campos formalizou o pré-lançamento de sua chapa, em aliança com a ex-ministra Marina Silva; e o senador Aécio Neves se desdobra na costura de alianças regionais que reforçarão seus palanques na Bahia, em Minas e no Amapá, entre outros colégios eleitorais. No Rio o político mineiro ainda tenta uma base razoável, mas já contabiliza o apoio de parte das bancadas do PMDB e PP, além do PSDB.

ANÁLISE

Em paralelo à movimentação dos pré-candidatos as pesquisas de opinião passam a ser divulgadas com mais freqüência, indicando no geral um quadro eleitoral indefinido: a presidente Dilma conserva a dianteira, mas com dificuldade para superar o “desejo de mudança” da maioria do eleitorado sob consulta. A aceleração da corrida sucessória é natural e aceitável num país continental como o nosso, ante a vedação da campanha explícita – prevista numa legislação vigente mas esdrúxula – questionada até pelo ministro José Toffoli, presidente eleito do Tribunal Superior Eleitoral. Como referiu a este colunista um antigo magistrado eleitoral, trata-se de uma norma votada sem maior estudo técnico por parte de um Legislativo que não faz honra à densidade requerida pela democracia representativa (em linguagem óbvia, votaram sem conhecer a matéria, resultando a proibição de campanhas numa autêntica “jaboticaba” legal típica do Brasil).

5. COPA E SEGURANÇA

OS FATOS

A aproximação dos jogos da Copa do Mundo (início em 12 de junho) faz acelerarem os preparativos finais em obras de mobilidade, acesso às praças esportivas e, principalmente dos estádios onde as partidas serão disputadas. Em comunicado desta semana a presidente da República assegurou que o plano de segurança para os jogos está concluído, com o emprego das Forças Armadas, mais organizações federais da área (PF, Polícia Rodoviária) e forças estaduais e municipais, de modo a garantir a normalidade do campeonato, mesmo com eventuais movimentos grevistas ou de ativistas sociais. Quanto aos investimentos feitos, Dilma Rousseff expôs que os benefícios serão permanentes para a população, tais como – em Curitiba – melhorias na linha Aeroporto-centro da cidade, redes viárias urbanas e similares; além das próprias Arenas esportivas, com seu desenho multiuso.

ANÁLISE

A esta altura, uma vez contratada pelo país a tarefa de sediar o Campeonato mundial de futebol de 2014 é importante que o Brasil como um todo “abrace a idéia” – como referiu uma entidade paranaense. Devemos nos preparar para recepcionar condignamente as delegações e os turistas (principalmente do Cone Sul) que acorrerão às cidades-sedes como Curitiba, deixando de lado eventuais resistências à candidatura brasileira. O momento, agora, é de juntarmos esforços para sermos anfitriões responsáveis e competentes. Acertos “de contas” devem ser deixados para outra ocasião porque – ensina o ditado – “roupa suja se lava em casa” e não com exposição pública.

MISCELÂNEA

Recuperação econômica global, nos Estados Unidos, China e União Européia, pode beneficiar os países emergentes, entre eles o Brasil. Avaliação do Banco Central é que o cenário de paralisia decorrente da crise de 2008 está sendo revertido, com a volta do crescimento.

MISCELÂNEA (II)

Governo central enfrenta, no período, dois “tsunamis”: o desdobramento da questão Petrobrás e a polêmica do IBGE. No primeiro caso, houve contradição nos depoimentos de dirigentes da empresa estatal de petróleo, prestados ao Congresso, sobre a compra da refinaria de Pasadena; no segundo, a suspensão não explicada de uma pesquisa sobre índice nacional de desemprego gerou celeuma política. Mas no índice restrito a seis regiões metropolitanas a taxa caiu.

MISCELÂNEA (III)

Destravados pedidos de empréstimos do Paraná, pelo alegado descumprimento de regras de responsabilidade fiscal (ou falta de comprovação de situação regular nesses itens). Agora é correr contra o relógio, porque a partir de julho, pela legislação eleitoral, a Administração Pública sofre restrições para contratar.

Rafael de Lala,

Presidente da API – Associação Paranaense de Imprensa

Fonte: API – Associação Paranaense de Imprensa