Principais desafios que o setor enfrenta e como superá-los

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No último mês de junho, o setor de reforma comemorou o Dia do Reformador de Pneus, uma data
para celebrar a importância desse segmento que é essencial para a economia e para a sustentabilidade.
E mais do que um momento de celebração, a data é uma excelente oportunidade para analisarmos o mercado e entendermos quais os principais desafios que ainda precisamos superar.
Apesar de sabermos que reforma de pneus tem conquistado valorização e reconhecimento ao longo dos anos, é fato que o setor ainda enfrenta uma série de desafios que precisam ser superados, tanto no presente quanto no futuro.
Entre esses desafios, um que vem sendo um dos principais entraves para o setor é a venda direta. Essa prática prejudica a indústria de reforma e, além disso, resulta no desrespeito às normas tributárias, devido à falta de controle e de fiscalização.
A venda direta, que consiste na comercialização de pneus diretamente pelos fabricantes, acaba diminuindo a participação do setor de reforma e prejudicando sua representatividade. Isso ocorre porque
muitas vezes os pneus reformados são ignorados em favor dos pneus novos, além de gerar uma concorrência desleal, uma vez que os reformadores não têm os mesmos recursos de marketing e distribuição das renomadas fabricantes de pneus.
Aliada a essa prática, temos ainda prática da venda casada, na qual o pneu novo é vendido juntamente com o serviço de reforma. Essa prática que também é ilegal, retira do consumidor o direito de escolha. Ao limitar as opções dos consumidores, a venda casada prejudica a competitividade dos reformadores e
impede o desenvolvimento saudável do mercado de reforma.
Para além desses desafios imediatos, o setor precisa buscar um reconhecimento cada vez maior por parte de todos os envolvidos, desde as próprias redes das fábricas nacionais até o consumidor final.
É fundamental demonstrar à sociedade a qualidade dos produtos reformados e ressaltar o valor da indústria de reforma na cadeia logística e para o meio ambiente.
Essa conscientização pode começar nas próprias reformadoras, por meio da valorização do serviço prestado, da prática de preços justos e do entendimento da relevância do setor de reforma. Atualmente, o setor de reforma é uma indústria verde, que utiliza alta tecnologia econtribui para a preservação do meio ambiente, por meio da reutilização de pneus. É crucial que sejamos reconhecidos como tal.
A Associação Brasileira da Reforma de Pneus (ABR) tem desempenhado um papel fundamental nesse processo, trabalhando incessantemente para fortalecer e representar o segmento de reforma. Contudo, é necessário, cada vez mais, o apoio de reformadores para que possamos ser mais fortes e efetivos na defesa de nossos interesses.
Uma das formas de enfrentar esses desafios é promover ações de conscientização e informação junto aos consumidores, mostrando os benefícios dos pneus reformados, como a economia financeira, a qualidade do produto e o impacto positivo no meio ambiente. Além disso, é essencial buscar parcerias estratégicas
com fabricantes de pneus, órgãos reguladores e entidades de defesa do consumidor, a fim de promover uma maior visibilidade e valorização do setor de reforma.
Futuro
No que diz respeito ao futuro da reforma de pneus, é essencial estarmos atento às inovações tecnológicas e às tendências do mercado. A indústria automotiva está passando por uma transformação
significativa, com a adoção de veículos elétricos e autônomos, o que pode impactar diretamente a demanda por pneus e, consequentemente, pelo serviço de reforma.
Nesse sentido, é fundamental que os reformadores estejam preparados para atender às necessidades desses novos veículos e acompanhem as mudanças do setor. Os pneus inteligentes têm sido objeto de estudo e experimentação há algum tempo.
Em 2017, a Sumitomo Rubber Industries apresentou um projeto inovador que incorporava um núcleo de detecção, banda de rodagem ativa e tecnologia de sustentação de desempenho. Esses pneus transformam-se em verdadeiros sensores, analisando as condições da superfície da estrada e ajustando sua pressão e funcionalidade de acordo.
Com essa tecnologia, os pneus podem oferecer um desempenho otimizado em diferentes condições climáticas e tipos de terreno, garantindo uma experiência de condução mais segura e confortável. Outra contribuição para os pneus inteligentes vem da Continental, que desenvolveu o conceito de roda ajustável ContiAdapt. Com essa tecnologia, os motoristas têm a capacidade de controlar a
quantidade de borracha em contato com a estrada, além de variar a pressão dos pneus, conforme as condições de condução. Em superfícies geladas e escorregadias, por exemplo, os pneus se expandem para proporcionar uma aderência extra, aprimorando significativamente o manuseio do veículo nessas situações desafiadoras.
Pneus Impressos em 3D:
Uma Nova Era na Fabricação de Pneus
Os avanços na tecnologia de impressão 3D estão começando a impactar a indústria automotiva de diversas maneiras, e os pneus não constituem exceção. A renomada empresa Michelin está liderando o caminho, ao projetar pneus multifuncionais feitos de materiais biodegradáveis, com um revestimento de borracha que pode ser restaurado à medida que o pneu se desgasta. Esses pneus seriam impressos em 3D, utilizando uma variedade de materiais reciclados, como lascas de madeira, cascas orgânicas e palha, para preencher o piso de borracha quando necessário. Essa abordagem sustentável reduziria o desperdício de pneus e ofereceria uma solução inovadora para prolongar-lhes a vida útil.
À medida que avançamos em direção ao futuro da mobilidade, é essencial considerar a importância dos pneus nessa equação e, consequentemente, da reforma.
Os pneus inteligentes, capazes de se adaptarem às condições da estrada, e os pneus impressos em 3D, mediante abordagem sustentável, estão moldando o futuro dessa peça fundamental dos veículos automotivos e precisam de uma resposta também a ser dada pelo setor de reforma.
Em resumo, a reforma de pneus enfrenta desafios urgentes, como a venda direta e a venda casada, que comprometem sua competitividade e representatividade.
Além disso, é necessário buscar um maior reconhecimento do setor por parte de todos os envolvidos e promover a conscientização sobre os benefícios dos pneus reformados.
E, por fim, estar atento às tendências do mercado para possibilitar respostas rápidas e igualmente inovadoras. Assim, é possível superar esses desafios e garantir um futuro promissor para a indústria de reforma de pneus.
Fonte: ABR/Revista- Sindbor/PR