
O Instituto Democracia e Liberdade (IDL) vêm a público manifestar sua preocupação com os rumos da política e da justiça no Brasil, a partir da constatação de que várias instituições, que deveriam cumprir com a tarefa indelegável de garantir nossas liberdades democráticas, sofrem severo desgaste e grave desconfiança da população.
Denúncias e indícios de corrupção campeiam no Legislativo e no Judiciário, deixando apreensiva toda a sociedade brasileira. Indícios são ignorados e não recebem a apuração adequada. As denúncias, a maioria bem fundadas, são explicadas superficialmente, sem que os denunciados sejam sequer admoestados. Quando muito, saem ligeiramente do foco e logo são esquecidos por uma nova onda de escândalos, que se sucedem. Nada é punido com o rigor que a corrupção merece.
O parlamento movimenta-se como se não houvesse necessidade do apoio popular. Votam e aprovam matérias que interessam a si próprios, ampliando gastos absurdos que fragilizam ainda mais o combalido orçamento da União. Para citar algumas matérias que tem a unanimidade da população contrária, o aumento brutal dos valores nos fundos partidários e o financiamento público de campanhas. Também impopulares, as emendas parlamentares impositivas que crescem descontroladamente, trazendo consigo um rastro de corrupção e de desvios. Pouco se importam com a desaprovação popular. Outro tema recorrente: os gastos exorbitantes com o exército de assessores, muitos dos quais sequer aparecem para cumprir horário, sem falar nos gastos exorbitantes com passagens aéreas pagas pelo erário. Boa parte disso é denunciado pela imprensa, mas nada é levado a sério ou corrigido, nem ao menos explicado.
A faltam denúncias também no âmbito do judiciário, que igualmente se cala e nada explica, como se tribunais e magistrados fossem intocáveis. Super salários, quatro, cinco vezes superiores ao teto definido em lei, sem uma palavra de explicação ou de arrependimento. A explicação pífia é de que se tratam de bonificações auto concedidas, definidas pelos Regimentos Internos das respectivas cortes.
Também não se explicam as relações incestuosas de magistrados com empresários ou advogados de acusados em processos que tramitam no judiciário, naquilo que a legislação define como conflito de interesses.
Ninguém se declara impedido. Ao contrário, assumem o processo sem qualquer ressalva. Não faltam acusações desses ilícitos, com provas robustas, que são simplesmente ignoradas.
A liquidação do Banco Master é uma passarela de irregularidades e nulidades que expõem autoridades e mostram com clareza a dificuldade de punir gente rica nesse país.
É preciso investigar o envolvimento de dirigentes do Banco Nacional de Brasília (BNB), acusados de tentar mascarar a situação falimentar do Banco Master e enganar investidores, simulando a compra de Fundos Imobiliários podres.
Merece também atenção o comportamento de autoridades e instituições que questionaram a liquidação determinada pelo Banco Central de um banco moribundo, que colocava em risco todo o sistema bancário.
Merece rigorosa apuração também a atuação do STF, que chamou para si o processo judicial, determinando sigilo absoluto e tolhendo as investigações da Polícia Federal.
Temos aí uma oportunidade única para punir servidores corruptos, que utilizam seu cargo para favorecer amigos e inibir a ação do Estado para punir empresários corruptos que dão prejuízo de bilhões de reais a toda a sociedade brasileira.
O IDL deseja tão somente que a justiça seja feita, doa a quem doer.
Fonte: Instituto Democracia e Liberdade (IDL)